Brasília - A derrota do governo brasileiro, ao não conseguir emplacar a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie na Organização Mundial do Comércio (OMC), não repercute somente nas pretensões diplomáticas do país mas também terá impacto na política interna brasileira. A até então provável nomeação de Ellen na OMC daria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chance de indicar mais dois ministros para o STF antes de deixar a presidência da República, em 2010.
Desde que assumiu, em 2003, Lula nomeou 7 dos 11 ministros que compõem a Corte. Além de Ellen Gracie, que poderia sair do cargo até o final deste ano, Eros Grau deve deixar a Corte no ano que vem, se for mantida a idade de 70 anos para a aposentadoria compulsória dos magistrados. A derrota da ministra do STF representa, por exemplo, um balde de água fria nas pretensões do atual advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli. Ele é o nome natural do presidente Lula para a próxima indicação ao Supremo e tinha expectativas de ser o substituto da ministra.
Além dele, porém, outros nomes também estavam na disputa. É o caso da juíza Sylvia Steiner, que irá terminar seu mandato no Tribunal Penal Internacional.
Os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) César Asfor Rocha e Ari Pargendler, além do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza -conhecido por todos os ministros do Supremo - também eram cotados para o cargo.
Até o nome do atual ministro da Justiça, Tarso Genro, era citado, caso não conseguisse aprovação de seu partido, o PT, para se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul, nas eleições do ano que vem. A disputa agora será maior. Ao invés de duas, todos esses nomes estão na disputa por apenas uma vaga de Ellen.

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