Enquanto o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já anunciou oito ministros e boa parte da equipe econômica, no Paraná as medidas do futuro governo ainda são reveladas com cautela. A transição com a atual governadora Cida Borghetti (PP), que tinha data para início em 3 de dezembro, foi antecipada para a próxima segunda-feira (19). Sem os números oficiais das contas públicas, a equipe do governador eleito Ratinho Junior (PSD) trabalha nos bastidores e não adiantou medidas econômicas e administritavas que pretende adotar a partir do dia 1º de janeiro de 2019, quando assume o Palácio Iguaçu.

Até agora o novo governo só tem dois nomes oficializados para o secretariado: o general Luiz Carbonell para a pasta da Segurança Pública e o empresário paulista Renato Feder na Secretaria da Educação. Segundo a assessoria de imprensa de Ratinho Junior, a orientação é não antecipar medidas para não trazer implicações no futuro, já que a equipe ainda não teve acesso aos números. Com a promessa de campanha de rever o tamanho do Estado e reduzir a máquina em 14 secretarias, o deputado aguarda o estudo que foi contratado da Fundação Dom Cabral, antes de bater o martelo sobre a nova estrutura administritava. Novos nomes devem sair na primeira quinzena de dezembro.

PENTE FINO
Ratinho Junior também diz que não pretende ficar dependente do estudo encomendado da empresa de Belo Horizonte, mas aplicar o programa de governo que contou com políticos experientes como o ex-ministro e ex-secretário estadual Reinold Staphanes (PSD), e o ex-secretário de Agricultura de Beto Richa, Norberto Ortigara, ambos da equipe de transição. Interlocutores do novo governo afirmam que a ideia é fazer um pente fino nos contratos e editais de licitação em andamento e também definir um modelo de lei para permitir as PPPs (Parcerias Público-Privadas) para aumentar o investimento em infraestrutura.

RESPONSABILIDADE FISCAL
Outro ponto central será enfrentar a questão da folha de pagamento. Relatório divulgado pelo Tesouro Nacional coloca o Paraná entre os estados que ultrapassaram o limite de gastos com pessoal de 60%, hoje com 61%. Para lidar com este tema, mesmo antes da transição oficial, Ratinho Junior já sentou à mesa com sindicatos. O assunto também foi tema no encontro de governadores com o presidente eleito Jair Bolsonaro na última quarta-feira (14).

Segundo o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão, o encontro com Ratinho Junior foi positivo e a promessa é de uma mesa de diálogo permanente com os professores responsáveis pelo anos finais do ensino fundamental e ensino médio. "Entregamos nossa pauta com as premissas importante em defesa dos direitos da nossa categoria, em defesa da escola pública de qualidade e do processo de aprendizagem", disse Leão ao elencar também a pauta da hora-atividade dos professores, questão judicializada com a atual gestão.

No encontro, Ratinho Junior não se comprometeu com números e índices de reajuste por alegar não possuir os dados detalhados das contas públicas. O governo Cida Borghetti chegou a enviar a proposta de reajuste no meio do ano de 1%, mas a categoria exige a recomposição inflacionária de 2,76% referente ao período de maio de 2017 a abril de 2018. "Chegamos a debater, mas o governador eleito disse que não estava com os dados necessários", disse o presidente da APP. Ele lembrou que no governo Beto Richa - desde a batalha campal no Centro Cívico quando foi aprovado o "pacotaço fiscal" em abril de 2015 - a categoria "viveu os piores momentos da história com o governo estadual" e que espera "uma busca de entendimento no próximo ciclo".

O encontro da Ratinho Junior com os professores foi no dia 7 de novembro, um dia antes do governador eleito anunciar Renato Feder para a Educação. "No encontro ele foi apresentado como coordenador da área da educação. O ideal seria um nome da rede de ensino que conheça a realidade local, mas ele (Feder) inclusive se comprometeu a adotar uma agenda de valorização dos professores e funcionários", cobrou Hermes Leão.

FLEXIBILIZAÇÃO

No encontro com Bolsonaro também foi apresentada uma uma carta dos governadores eleitos em que eles pedem, entre outras medidas, a flexibilização do vínculo dos servidores públicos, como informou o jornal O Globo nesta sexta-feira (16). Segundo o presidente da APP Sindicato, a postura será de resistência a todas as medidas do governo Bolsonaro que significam, para categoria, perda de direitos. "Toda a agenda do presidente eleito, tanto na Educação quanto na Saúde, é de perda de direitos e qualidade. Será um período de resistência. Essa proposta não tem nosso apoio, é um ato arbitrário", disse Leão.

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