Com atestado médico do Líbano, Abi falta a interrogatório da Publicano 2
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Guilherme Marconi/ Reportagem Local 
A defesa do empresário londrinense Luiz Abi Antoun, primo do ex-governador Beto Richa (PSDB), apresentou uma petição à Justiça com atestado médico para justificar a ausência do réu que seria interrogado nesta segunda-feira (15) pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio. Antoun está entre os 123 réus da Operação Publicano 2, a maior fase da investigação que revelou um suposto esquema de corrupção milionário na Receita Estadual do Paraná.

Segundo o advogado Amarildo Firmino, o empresário não pôde voltar da viagem ao Líbano (Oriente Médio) para depor porque estaria com 90% de hipoxemia (baixa concentração de oxigênio no sangue) e apresenta sintomas como febre, tosse e enfisema apical. "Ele não está foragido. Ele não pôde comparecer por restrições médicas e já comunicamos ao juiz. De qualquer forma, vamos informar nos autos que Abi deverá utilizar o direito de não responder as perguntas no interrogatório", disse.
Antoun está no exterior desde o dia 23 de setembro para resolver questões familiares e o retorno estava previsto para o dia 7 de outubro, segundo a defesa. Poucos dias antes da viagem internacional (11 de setembro), o empresário chegou a ser preso na sua residência no centro de Londrina na Operação Radiopatrulha, também deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e deixou a prisão cinco dias depois. Uma semana mais tarde, já fora do País, o primo do ex-governador também foi alvo da Operação Integração 2, que mira desvio nos pedágios do Paraná, mas a Justiça não conseguiu cumprir o mandato por conta da viagem.
Segundo o promotor do Gaeco Leandro Antunes, a defesa será intimada dentro do processo da Publicano para informar a data exata do retorno com cópia da passagem. "Se isso não ocorrer, vamos estudar a hipótese legal de pedir a decretação de prisão e revogar as medidas cautelares." Quanto à declaração do advogado do réu de querer utilizar o direito Constitucional de não responder às perguntas do juiz, Antunes diz que este fato não altera o processo. "É um direito dele, mas o que nos preocupa é o fato de não estar cumprindo as medidas cautelares, já que está no Líbano." A defesa do primo de Beto Richa não definiu data de retorno do empresário ao Brasil.
DEPOIMENTOS
Na Publicano 2, Abi é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e agiria como uma ponte entre os interesses de empresários e de agentes públicos para arrecadar dinheiro para campanhas políticas, segundo o MP. Nesta segunda-feira (15), foram ouvidos outros quatro réus, todos auditores fiscais da Receita: Maurilio Nicolau, Amadeu Serapião, Ademir de Andrade e Amado Batista. Além de organização criminosa, todos são acusados de receber propina para deixar de aplicar multas pesadas contra empresários que teriam sonegado impostos. Diante do juiz Juliano Nanuncio, todos negaram veementemente as acusações e tentaram desqualificar as delações que embasaram o processo, principalmente do delator-mor, o ex-auditor Luiz Antonio de Souza. "Eu não sou um 'zé ninguém'. O Gaeco quer nos desqualificar. Eu não tinha nenhuma relação com o delator. Ele é acusado de se relacionar com adolescentes. Como vou me relacionar com uma pessoa dessas?", disparou um dos réus.
Agora Nanuncio começou a ouvir o núcleo de auditores. "Recebemos a versão deles com tranquilidade e sem surpresa. Não estamos baseados somente nas delações premiadas. São 125 fatos criminosos que são detalhados por depoimentos dos empresários, provas documentais, anotações que demonstram percentuais de propina, repasses de valores de propina. A colaboração premiada é somente o início da investigação", informou o promotor do Gaeco.
As audiências de instrução da Publicano 2 terminam no dia 29 de setembro, com o interrogatório de Marcio Albuquerque de Lima, ex-inspetor geral da Receita que foi condenado a 97 anos de prisão na primeira fase da Publicano pela justiça em primeiro instância.


