Contrariando as outras quatro votações de Comissões Especiais de Inquérito (CEI) realizadas na Câmara de Vereadores de Londrina, a base governista - aliada ao prefeito Barbosa Neto (PDT) - surpreendeu e votou sim à abertura da CEI da Educação, que pretende investigar a compra, pela administração municipal, da coleção de livros ''Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena'' e de kits escolares no final de 2010.
Da base aliada, somente o vereador Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) se absteve da votação, enquanto todos os outros, que costumam votar contra os pedidos de investigação, foram favoráveis. Contando com os votos da oposição, a investigação foi aberta com 17 apoios - eram necessários dez para abertura. A CEI será composta pelos vereadores Rony Alves (PTB), como presidente, Joel Garcia (PP), relator, e José Roque Neto (PR), membro. Eloir Valença (PHS) não estava na sessão por motivos de saúde e não votou. O pedido foi protocolado na Casa no início de fevereiro pelos vereadores Rony Alves e Tito Valle (PMDB), membros da Comissão de Educação da Casa.
Apesar da votação ter sido tranquila, uma manobra realizada pela base governista gerou tensão na Casa durante a tarde. Antes da votação, o líder do prefeito na Câmara, Jairo Tamura (PSB), protocolou na Mesa Executiva, através de seu advogado, João Gomes, um requerimento pedindo que, caso a CEI fosse aprovada, o princípio da proporcionalidade partidária deveria ser obedecido na composição da comissão - ele defendia que a comissão de investigação fosse composta por cinco vereadores de diferentes partidos, e não três.
''Eu sempre concordei que o jogo fosse político, mas ainda assim ele tem que ter o mínimo de dignidade. Que seja observada, na possível formação da CEI, a representatividade partidária como está previsto no Regimento Interno desta Casa'', afirmou o advogado. Segundo ele, o pedido foi feito antes da formação da comissão porque na CEI da Centronic esse princípio não teria sido respeitado. ''Eles querem tumultuar. Nunca pediram essa proporcionalidade, por que agora?'', rebateu Rony, que conseguiu manter as três cadeiras.
Reunião
Após a votação, antes da nomeação dos membros da CEI, a base governista ficou reunida por quase uma hora, causando irritação nos vereadores de oposição. Mas o líder do prefeito alegou que a base não se articulou para votar sim, e cada vereador era livre para votar como quisesse. ''Tivemos uma conversa e decidimos que nossa função é fiscalizar. Se há alguma dúvida, não tememos a investigação. Por isso cada um votou conforme sua consciência.''
Alvos da investigação
No início da discussão do pedido de abertura de CEI, o vereador Rony Alves alegou que a investigação era necessária porque o caso da compra dos livros, que foram considerados racistas e não estão sendo usados, ''até hoje não foi esclarecido''. Já a compra dos kits escolares ''recebeu um parecer negativo da própria controladoria da prefeitura''. ''Precisamos investigar para trazer luz aos acontecimentos. Pode ser que ao final se conclua que nada aconteceu, mas não podemos ficar aqui achando. Nos parece que houve erro, e irregularidades'', argumentou.
A CEI terá 90 dias para investigar a compra dos uniformes e dos livros. O prazo pode ser prorrogado, por igual período.

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