Brasília - Para poupar ministros mais próximos da presidente Dilma Rousseff e livrar da exposição o ex-ministro José Dirceu, o PT e o governo decidiram sacrificar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Com a anuência do Palácio do Planalto, Cardozo foi convocado ontem a depor na CPI da Petrobras, onde deverá dar explicações sobre a atuação da Polícia Federal na apuração do esquema de corrupção na estatal.
Numa lista com 436 requerimentos protocolados, PMDB e PSDB queriam focar nas convocações dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), além de Cardozo e Dirceu. Também havia requerimentos disponíveis para votação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a oposição descartou convocá-lo ou quebrar seus sigilos, pelo menos por enquanto.
O pacote inclui quebra de sigilos, acareações e pedidos de acesso a documentos. A lista incluiu as convocações do empreiteiro Marcelo Odebrecht, do executivo da Toyo Setal Júlio Camargo, do executivo da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo, do policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, de Adarico Negromonte (irmão do ex-ministro Mário Negromonte) e de Rafael Angulo Lopes (responsável pelo "cofre" do doleiro Alberto Youssef). Também foram convocados os delegados federais envolvidos no caso da escuta ilegal encontrada na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Outros executivos foram incluídos no pacote de convocações: J.W.Kim, presidente da Samsung no Brasil, e Shinji Tsuchiya, da Mitsui. Entre as acareações aprovadas estão as que confrontam o executivo Augusto Mendonça, o ex-diretor de Serviços Renato Duque e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto numa mesma sessão. Outra acareação envolverá o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, o delator Shinko Nakandakari e ex-gerente-geral de Implementação de Empreendimentos para a refinaria Abreu e Lima (PE) Glauco Legatti. A terceira acareação aprovada será entre o empresário Caio Gorentzvaig (da Petroquímica Triunfo) e o empresário do Grupo Suzano David Feffer.
Em votação separada, foram aprovadas as quebras de sigilo de parentes do doleiro Alberto Youssef. A CPI quer acesso ao sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático das filhas do doleiro Taminy e Kemelly Youssef, de Joana Darc Youssef (mulher do doleiro) e de Olga Youssef (irmã).

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