Com Amadeo e Turra, FHC encerra reforma
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Agência Estado 
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EmpregoMinistro do Planejamento Paulo Paiva e Edward Amadeo, que assume hoje o ministério do Trabalho: missão espinhosaO presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou ontem a reforma ministerial com a confirmação dos nomes do economista Edward Amadeo, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), para o Ministério do Trabalho, e do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Francisco Turra, para o Ministério da Agricultura. Com as duas nomeações, Fernando Henrique espera que o fim de semana prolongado, com os feriados da Semana Santa, sirva para acalmar os ânimos da base aliada, revoltada com algumas das nomeações para o novo ministério.
A posse dos novos ministros deverá ser realizada hoje, ao meio-dia, no Planalto, em cerimônia fechada. Quinta-feira, Fernando Henrique viaja para o sítio de Ibiúna, no interior de São Paulo, onde passará os feriados da Semana Santa.
Acusado de estar fazendo uma reforma atendendo apenas interesses partidários ou essencialmente regionais, Fernando Henrique optou pela escolha técnica, ao se decidir pelo nome de Amadeo. O presidente preferiu atacar um dos principais telhados de vidro do governo, que é a elevação do índice de desemprego, ao escolher um especialista na área. Com isso, o presidente pretende afastar uma das principais fontes de ataque da oposição à reeleição, entregando a questão a um dos mais conceituados especialistas na área de emprego.
A composição do Ministério foi considerada muito complexa pelo presidente, que teve de aceitar muitas das exigências dos partidos para não ver a base aliada ficar mais arranhada e prejudicar, definitivamente, o restante das votações e, também, a campanha da reeleição. Quanto à indicação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos nomes mais criticados da reforma ministerial, o presidente Fernando Henrique espera que, passada a Semana Santa, as críticas arrefeçam-se. A partir daí, o presidente acha que o próprio Calheiros comece a mostrar serviço, e exponha à vista que, embora possa tirar nota baixa na prova de títulos, pela experiência e vontade de acertar, irá certamente tirar nota na prova prática. A onda vai passar, comentou ele com auxiliares.
O presidente afirma sempre que Calheiros não teve nada a ver com a parte moral atacada no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello. FHC diz ainda que, em todas as irregularidades cometidas por Collor, em nenhuma delas Calheiros aparece como envolvido ou beneficiário. A reforma feita, segundo Fernando Henrique confidenciou a amigos, foi a possível.
Ao estudar a fundo as teorias do inventor da ciência macroeconômica - o economista John Maynard Keynes -, desde 1986, e construir com elas a tese de doutorado, defendida na Universidade de Harvard (EUA), o jovem professor Edward Amadeo, de 42 anos, nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso novo ministro do Trabalho, especializou-se no assunto, além de também ser um expert em trabalho e emprego.
Casado com a economista Eduarda La Rocque, com quem tem um filho de 4 anos, Amadeo não vacilou quando o ministro do Planejamento, Paulo Paiva, telefonou para a casa dele, no sábado, e avisou que não o queria mais como assessor no Planejamento (esse foi o primeiro convite), mas como ministro do Trabalho. Amadeo respondeu imediatamente: Topo. Ontem cedo viajou para Brasília.


