Com ACM, CPI soma 20 adesões no Senado
Depois de duas semanas de expectativa, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) assinou ontem o requerimento de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção, apresentado pela oposição. Nenhum pefelista no Senado divulgou a assinatura e a tendência é de que as bancadas do PFL no Congresso não sigam o exemplo de ACM. A oposição contava até ontem 120 assinaturas na Câmara e 20 no Senado. São necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.
Na Câmara, segundo o líder do PT, Walter Pinheiro (BA), quatro governistas assinaram o requerimento. Mas apenas o deputado Affonso Camargo (PFL-PR) autorizou a divulgação do apoio dele à CPI. Camargo disse que resolveu apoiar a instalação da CPI por uma questão de consciência. A corrupção está espalhando-se e é hora de dar um basta, um choque, afirmou.
A oposição alega temor de represálias para não divulgar as assinaturas de governistas. No Senado, a oposição esperava ainda o apoio dos senadores baianos Paulo Souto (PFL-BA) e Waldeck Ornélas (PFL-BA), que haviam declarado que assinariam o requerimento depois de ACM. A reportagem procurou os parlamentares, mas eles não foram encontrados.
Mesmo tendo recebido o requerimento, o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), não o assinou. Leu e disse que faltavam ainda alguns fatos, aqui e ali. Mas prometeu que estudará o texto e daria resposta à oposição.
ACM assinou o requerimento ao chegar ao plenário do Senado, à tarde. Ele foi abordado pelo líder do Bloco Oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE), que lhe apresentou o documento. O senador concordou fazendo sinal com a cabeça, quando Dutra lhe estendeu o documento e, depois de o assinar, ergueu o polegar, sem fazer comentário.
Apesar do gesto de ACM, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), disse que a base governista está tranquila quanto à impossibilidade de uma CPI. O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), disse, que diante da crise na Argentina, o Brasil tem de mostrar solidez política e econômica. Temos de mostrar que não tem mar de lama coisa alguma, afirmou.
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), recomendou à bancada que discuta o assunto, mas adiantou que pedirá que os pefelistas não assinem o requerimento. Para ele, em ano pré-eleitoral a, CPI pode transformar-se em palanque eleitoral. Oliveira admitiu que poderia assinar o requerimento de uma CPI das privatizações, mas discorda da CPI da corrupção. Para o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), a instalação da CPI da Corrupção seria uma farofa.
Eu não assino hoje, afirmou o vice-líder do partido e aliado de ACM, deputado José Carlos Aleluia (BA). Aleluia disse que ACM não deu nenhuma orientação à bancada para que fosse assinado o requerimento da CPI da Corrupção.
Sobrinho de ACM, o deputado Paulo Magalhães (PFL-BA) disse que só assina o requerimento se for em bloco. Se for para assinar, assina todo mundo, disse ele, referindo-se aos pouco mais de 20 deputados liderados por ACM na Câmara. Para o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM), não há necessidade de CPI porque o governo está tomando todas as medidas para apurar os casos.





