''Com a cabeça nas eleições''
Esta semana, no entanto, a Câmara ficará vazia devido ao feriado de Corpus Christi, na quinta-feira. A cabeça dos deputados já está nas eleições municipais e, por isso, não vamos votar nada de muito importante, diz o vice-líder do PFL, deputado Pauderney Avelino (AM).
Já o Senado não deverá ficar tão vazio. Apesar das atenções dos senadores nestas duas semanas estarem voltadas para o processo de cassação de Luiz Estevão, o líder José Roberto Arruda está agendando a votação de projetos considerados prioritários pelo Planalto, como a permissão para governadores estabelecerem pisos salariais diferenciados e a emenda constitucional que vincula recursos para a área de saúde. Fatalmente o caso do senador Luiz Estevão provoca polêmica no Senado, mas não afeta a pauta de votações, sustenta o líder governista. Arruda também argumenta que, em agosto, o Senado vai trabalhar normalmente uma vez que as eleições municipais não afetam diretamente aos senadores.
Mas enquanto a reforma tributária ganhou novo vigor com a promessa do presidente Fernando Henrique Cardoso de se reunir, esta semana, com os líderes partidários para discutir a emenda, a reforma política ficará engavetada, pelo menos, até as eleições para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2001. Nenhum dos pré- candidatos à presidência está disposto a desagradar os pequenos partidos, que são prejudicados com a reforma. O grande momento para a reforma política é o ano que vem, resume o presidente Michel Temer.
A limitação do uso de medidas provisórias pelo presidente da República é outra proposta que tem grandes chances de não sair do papel. A emenda constitucional não interessa ao Planalto que, nos bastidores, vem trabalhando pelo adiamento da votação. O mesmo destino está reservado à proposta que fixa em R$ 11,5 mil o teto salarial para o funcionalismo público e permite o reajuste automático dos salários dos deputados e senadores. Às vésperas de uma eleição, nenhum parlamentar está disposto passar por um desgaste com o aumento salarial depois de aprovado o mínimo de R$ 151. Se eu votar esse aumento nunca mais sou eleito, observa um tucano. (A.E.)





