Com 34 votos, Ivan Bonilha é eleito conselheiro do TC
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terça-feira, 05 de julho de 2011
Catarina Scortecci <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador-geral do Estado, Ivan Bonilha, foi eleito ontem na Assembleia Legislativa com o apoio de 34 deputados estaduais. Para ser eleito logo em primeiro turno, Bonilha precisaria de no mínimo 28 votos. Todos os 54 deputados estaduais estavam presentes. Dos 17 candidatos à vaga, apenas dois receberam votos: além de Bonilha, o deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT), que teve o apoio de 18 parlamentares. O deputado estadual Nelson Garcia (PSDB), desistiu ontem da disputa. Também foram registrados um voto branco e um voto nulo. O presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), que inicialmente só votaria em caso de empate, também votou.
Embora a votação tenha sido secreta, nos bastidores já se calculava quais políticos não votaram em Bonilha, nome defendido abertamente pelo líder da base aliada, Ademar Traiano (PSDB). Zucchi teria ganho o voto de seis parlamentares do PT; cinco do PMDB; quatro do PDT; um do PSDB; um do PV; e um do PSL. A bancada do PT já anunciava anteontem que havia fechado questão no voto a Zucchi. Já a bancada do PMDB não fechou questão e os parlamentares ficaram livres na votação. O único voto tucano a Zucchi foi do próprio Nelson Garcia, que, segundo ele, abriu mão da candidatura em nome do pedetista. Garcia defende que a vaga seja ocupada necessariamente por um membro do Legislativo.
No TC, Bonilha vai ocupar a cadeira de Maurício Requião, cuja nomeação ao órgão foi revogada em maio último pelo governador do Estado, Beto Richa (PSDB), e pelo presidente da AL. Maurício foi eleito pela AL em julho de 2008 com o voto de 43 parlamentares e o apoio do então governador do Estado, Roberto Requião (PMDB). Ele entrava na vaga do conselheiro Henrique Naigeboren, que se aposentou. Mas, assim como ocorreu na eleição de Bonilha, a disputa de Maurício foi marcada por uma guerra no Judiciário e, desde julho de 2008 até agora, Maurício permaneceu afastado do órgão a maior parte do período.
Entre as contestações em torno da nomeação de Maurício estão a prática do nepotismo, devido ao parentesco com o governador do Estado na época de sua eleição; a votação aberta, e não secreta; e a data de abertura do processo eleitoral na AL, que teria ocorrido antes da vacância da cadeira do TC. Para revogar a nomeação de Maurício, o presidente da AL argumenta que o caso de Maurício se arrasta há anos no Judiciário, o que prejudica os trabalhos do TC.
O eleito ontem, contudo, também enfrentará problemas no Judiciário. Maurício contesta a revogação da sua nomeação e a realização da nova eleição. Questionado sobre a polêmica, Rossoni afirma apenas que ''a Justiça decide e nós cumprimos''. Além de Maurício, um dos inscritos à vaga do TC, o advogado Tarso Violin, também contesta a nomeação de Bonilha. Violin afirma que é ''imoral'' o fato de Bonilha, na condição de procurador-geral do Estado, ter assinado junto com Beto o decreto que revoga a nomeação de Maurício.


