''Dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), é impossível conseguirmos fechar as contas da prefeitura''. A afirmação é do futuro prefeito de Ivaiporã, Célio Pereira (PMDB). A cidade vive uma situação atípica. O prefeito eleito em 2000, Pedro Wilson Papin (PSDB), renunciou ao cargo em 22 de outubro. Antes disso, Papin já havia sido cassado pela Câmara em 7 de maio mas conseguiu retomar o cargo no dia 2 de junho por decisão da Justiça. Nesse mesmo dia, o vice de Papin e prefeito em exercício na época, Célio Pereira, estava em Curitiba negociando convênios para a prefeitura de Ivaiporã. Papin tomou posse antes mesmo do vice ser notificado da decisão judicial e por algumas horas a prefeitura esteve nas mãos de dois prefeitos.
O atual prefeito em exercício é o presidente da Câmara Municipal, Antônio Vila Real (PMDB). Pereira, o vice, solicitou licença de 30 dias (o prazo vence em 22 de novembro) para finalizar as contas da campanha eleitoral da qual saiu vencedor. Vila Real apontou que esteve com o presidente do Tribunal de Contas (TC) para expor a situação do município. ''Temos mais de R$ 1,5 milhão de dívidas. Tive uma reunião com o presidente do TC mas segundo ele o prefeito que estiver no comando da prefeitura, eu ou o Célio, terá que provar que essa dívida não fomos nós quem fizemos e sim o Papin. Se não conseguirmos provar, seremos reponsabilizados'', alertou Vila Real.
Para evitar uma condenação, a prefeitura contratou uma auditoria que está levantando todos os gastos, receitas, verbas e convênios. Vila Real reclamou que quando Papin reassumiu o cargo, em junho, havia duas aplicações no banco, uma de R$ 120 mil e outra de R$ 95 mil, para garantir o pagamento do 13º salário dos funcionários. ''A gente ainda não conseguiu verificar onde esse dinheiro foi gasto'', detalhou.
Com tantas dívidas, a prioridade da prefeitura, segundo o atual prefeito, é pagar os servidores. Fornecedores e credores estão em segundo plano. Conforme Vila Real, a dívida com fornecedores chega a R$ 1 milhão. A arrecadação mensal do município é de R$ 1,2 milhão. Até o mês passado, a folha de pagamento era de R$ 536 mil. Quando assumiu, Vila Real exonerou 150 cargos e com isso conseguir diminuir a folha para R$ 350 mil. Entretanto, com os gastos de recisão contratual, ainda não é possível perceber essa economia.
A próxima medida será reduzir de oito para três o número de linhas telefônicas da prefeitura. Mas, de acordo com Vila Real, ''a prefeitura de Ivaiporã vai ficar devendo uma boa quantia''. ''Essa lei está atrasada uns 10 anos. Se ela existisse, o município de Ivaiporã seria outro'', analisou Vila Real. Para Célio Pereira, ''a LRF veio para moralizar os administradores que faziam o que queriam''. Mas ele reclama que o TC deveria abrir exceção em alguns casos, como o de Ivaiporã. ''Não posso ficar com toda a responsabilidade'', argumentou.
Pereira ponderou que deve retomar o cargo ainda este ano, contra a sua vontade. ''Assumindo agora eu jogo fora toda a minha chance de reeleição, mas terei que assumir porque a Lei Orgânica do município permite que o prefeito tire 30 dias de licença por ano e foi o que eu fiz. Não posso pegar licença médica porque não estou doente e renunciar também não é bom'', justificou.
A Folha tentou contato com Papin mas o celular estava desligado. Em sua residência informaram que ele estaria na fazenda, onde não tem telefone.

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