Com a decisão judicial a favor do vereador afastado Rony Alves garantindo que ele continue recebendo os vencimentos da Câmara Municipal, o Legislativo pode vivenciar uma situação inusitada e onerosa a partir de julho: embora tenha 19 vereadores, pagaria o salário de 22.

Nesta sexta (15), a Câmara foi oficialmente notificada da decisão da juíza substituta da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, Cristiane Santos Leite, que manteve o pagamento dos salários de Rony e a suspensão da Comissão Processante aberta contra ele e Mário Takahashi (PV) por possível quebra de decoro no envolvimento nas denúncias da Operação ZR3, do Gaeco. A investigação envolve 13 pessoas por formarem um suposto esquema de corrupção para mudanças de zoneamento em Londrina. A procuradoria jurídica do Legislativo afirmou que o despacho será cumprido.

Procurada pela reportagem, a defesa de Mário Takahashi afirmou que vai aguardar o desenrolar da decisão. Para receber o subsídio, Takahashi terá que fazer uma solicitação no Legislativo, o que ainda não aconteceu nem de forma administrativa nem por via judicial. Por meio da assessoria de imprensa da Câmara, o procurador jurídico, Miguel Aranega Garcia, informou que analisaria se a medida também seria extensiva ao presidente afastado da Casa.

Caso os salários de Rony Alves e Mário Takahashi sejam pagos imediatamente após a notificação, nos meses de junho e julho a Câmara passaria a pagar o salário de 22 "vereadores", embora de fato haja 19 cadeiras ocupadas. Isso porque o Legislativo também paga o subsídio do vereador licenciado Fernando Madureira (PTB). Mesmo ocupando o cargo de diretor-presidente da Fundação de Esportes, Madureira tem a prerrogativa de escolher qual salário preferiria receber, se o de R$ 12,9 mil da Câmara ou o de cerca de R$ 9 mil da Autarquia Municipal. Na época Madureira escolheu o salário de vereador e justificou que ao longo de um ano são pagos 12 salários e não 14, como na Fundação.

Araújo e Barros "perdoados"
Na sessão da última quinta-feira (14) o presidente da Câmara, o vereador Aílton Nantes (PP), comunicou à plenária que outras duas representações contra vereadores foram arquivadas. Uma delas pedia a abertura de Comissão Processante contra o vereador Pastor Gerson Araújo (PSDB) por conta de um fato ocorrido enquanto ele ocupou o cargo de chefe do Executivo após o afastamento do então prefeito Barbosa Neto (PDT), em 2012. Na época, Willian Polaquini, então chefe de gabinete de Araújo no Executivo, teria entrado em contato com proprietários dos terrenos na avenida Henrique Mansano (zona norte) e dito que a Prefeitura teria interesse naquelas áreas para construir um centro esportivo, o que levaria a um processo de declaração de interesse público e desapropriação – na época, ela já negociava a venda para a Construtora Iguaçu do Brasil, responsável por um golpe milionário em centenas de famílias. Araújo assinou um documento que sugeria a venda do terreno e sobre este fato acabou condenado pelo juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública, Marcos José Vieira, por improbidade administrativa, mas poderia recorrer da decisão e uma instância superior.

A outra representação arquivada nesta quinta era contra o vereador Filipe Barros (PSL). O motivo foi um vídeo publicado em sua rede social em que aparece chamando grevistas que participavam de um protesto por conta do dia do trabalho de "vagabundos".

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