Collor transfere convenção para AL
Depois de sofrer agressão em Mogi das Cruzes, ex-presidente muda local da convenção do PRN de SP para Maceió
Agência Estado
Um dia após anunciar que a convenção nacional do PRN seria feita em São Paulo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRN) e dirigentes da legenda anunciaram que o encontro foi transferido para dia 14, em Maceió (AL), seu domicílio eleitoral. Um dos objetivos é evitar manifestações hostis contra ele e sua candidatura à Presidência da República, como a que ocorreu anteontem durante visita à Câmara Municipal de Mogi das Cruzes (SP), onde Collor foi vaiado, xingado e agredido com um tapa. Ontem, para evitar novas manifestações, o ex-presidente foi cercado por um forte esquema de segurança formado por policiais militares e civis, tanto em Osasco como em Carapicuíba, municípios da Grande São Paulo.
Antes de Collor chegar para um almoço com lideranças políticas na sede do jornal ‘‘O Diário de Osasco’’, três carros da Polícia Militar e dois da Polícia Civil cercaram as ruas Ester Rombenso e Antônio Bíscuola. Enquanto o ex-presidente era aguardado, um policial civil desfilava ostensivamente com uma metralhadora para o alto. Além disso, a cada 15 minutos carros-patrulha passavam pelas ruas. Às 14h35, a comitiva de Collor dirigiu-se para a Câmara Municipal de Carapicuíba escoltada por policiais civis. A porta da Câmara estava guardada por 10 policiais militares. Além esquema policial, Collor tem sua própria segurança particular.
O ex-presidente voltou a repetir ontem que não tem dúvida de que conseguirá registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ‘‘O que pode haver é tentativa de impugnação por parte de algum partido político’’, disse. E avisou: ‘‘Mas tanto um partido pode tentar impugnar a minha como eu posso impugná-los. Segundo ele, seus advogados estão preparados para contestar qualquer tentativa nesse sentido.
A campanha do ex-presidente Fernando Collor à Presidência da República deverá estar nas ruas a partir do dia 6 de julho, mas dificilmente alcançará o programa gratuito no rádio e na televisão, que começa a ser veiculado no dia 18 de agosto. É que a lei eleitoral fixou o dia 13 de agosto como último prazo para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue os pedidos de registro de candidatos a presidente e a vice.
Os ministros do TSE dizem que o registro de Collor não será concedido. Ele deverá continuar inelegível até o ano 2000, conforme pena acessória aplicada pelo Senado em dezembro de 1992, logo depois da renúncia ao cargo de presidente. Nem a certidão negativa expedida pelo próprio TSE no dia 6 de maio, segundo a qual não há nenhuma decisão do tribunal declarando a inelegibilidade de Collor, deverá influir na decisão dos ministros.
Indiferente às questões legais, o ex-presidente Collor está fechando apoios à sua candidatura. O PRN - ao qual é filiado - fará no dia 14 a convenção nacional que vai escolher o candidato a presidente da República. Ao PRN já estão coligados o PRTB e o PST. A intenção de Collor é juntar a maior quantidade possível de partidos pequenos, para assegurar uns quatro ou cinco minutos de tempo na televisão e no rádio que não deverá chegar a ter.
A movimentação que vem sendo feita por Collor atualmente não é ilegal. Ele tem a seu favor uma liminar da Justiça Eleitoral de Alagoas, que o torna elegível. De acordo com a decisão da Justiça, a pena acessória aplicada pelo Senado em Collor impede que ele exerça função pública até o ano 2000, mas não o torna inelegível. Cargo eletivo, ainda de acordo com a Justiça de Alagoas, não é função pública. É representação popular.
A campanha legal, de rua, tem início no dia 6 de julho. Mas Collor, como Fernando Henrique Cardoso, já está distribuindo adesivos para veículos. Todos destacam o ‘‘l’’ dobrado: ‘‘Elle está de volta’’, ‘‘Elle voltou’’. Por enquanto, a propaganda é maior em Alagoas, mas já chegou ao Ceará e ao Rio de Janeiro. A partir de 6 de julho estará em todo o País, devendo ficar nas ruas por mais de um mês.
O discurso de campanha de Collor está pronto. Ele dirá que o governo atual causou o maior desemprego da história do País, a maior quebradeira de empresas, abandonou a saúde, a educação e a segurança. Se colocará como pessoa injustiçada, perseguida por um Congresso corrupto - em referência à máfia do orçamento.

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