Collor põe sua versão do impeachment na Internet
Com erros de português, estilo de folhetim e histórias que só poderiam ser confirmadas pelos mortos, o ex-presidente Fernando Collor de Mello começou a divulgar pela Internet a versão pessoal dele sobre o processo de impeachment que o tirou do poder em 1992.
Nas seis primeiras páginas, disponíveis desde ontem, Collor repete velhas queixas contra os ex-presidentes José Sarney (PMDB) e Itamar Franco (PMDB) e constrói, para si mesmo, o papel de um personagem que suportou com austeridade de caráter e apego às instituições toda uma trama envolvendo política e dinheiro - do lado da oposição, é claro.
O título diz tudo: Crônica de um golpe - a versão de quem viveu o fato. Collor retrata-se como vítima de um ato de força do Congresso. Há declarações de amor e admiração à mulher, Rosane - a quem havia humilhado com uma separação pública no segundo ano de mandato -, e estocadas para os ministros que não estavam com ele na despedida: Reinhold Stephanes, Antônio Cabrera, Pratini de Moraes, Adib Jatene e Affonso Camargo.
Com o cuidado de não mencionar nomes que possam confirmá-lo ou desmenti-lo, o ex-presidente espalha pelo texto referências a pessoas, auxiliares e políticos que o teriam estimulado a resistir com o emprego de força militar, ou mesmo dar um golpe ao estilo do peruano Alberto Fujimori. Pretendi registrar para a história que o presidente da República acatava com serenidade a decisão do Parlamento e que, civilizadamente, recusou todas as tentações para evitar aquele ato ou mesmo, antes, de fechar o Congresso Nacional, como queriam alguns e como fizera um país vizinho com surpreendente apoio popular.
Por fim, o ex-presidente apresenta uma rocambolesca história centrada no deputado Ulysses Guimarães. Diz que o político do PMDB o teria apoiado ao longo do processo, mas mudado de posição depois de lhe prometerem que, após a deposição de Collor, o vice, Itamar, renunciaria, abrindo-se o espaço para Ulysses ser eleito presidente, indiretamente, pelo Congresso. O site do ex-presidente Fernando Collor de Mello na Internet pode ser acessado pelo endereço http://www.collor.com/ (AE)





