O ex-presidente Fernando Collor de Mello estreou ontem no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão para apresentar a sua candidatura à presidência da República, apesar de estar inelegível até 2000. Com o registro impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Collor aproveitou uma brecha jurídica e participou do terceiro dia do programa eleitoral para reiterar sua disposição de voltar ao Palácio do Planalto. Ele pediu para o eleitorado fazer o seu julgamento. ‘‘O que eu desejo, minha gente, é que vocês façam o meu julgamento’’, falou. ‘‘O que eu desejo é que vocês, e somente vocês, sem intermediários, possam dizer sim ou não a Fernando Collor’’.
O secretário particular do ex-presidente, Roni Curvelo, disse que Collor vai usar o seu tempo na TV e no rádio (1 minuto e 26 segundos) para ‘‘desmascarar o Fernando Henrique Cardoso e as suas cinco mentiras’’. ‘‘O programa de hoje (ontem) foi só uma apresentação, a partir de agora teremos mensagens mais contundentes’’. Curvelo disse que não teme a impugnação definitiva da candidatura Collor pelo TSE. ‘‘Nós não ficaremos nenhum dia fora do ar’’, disse, acrescentando que o ex-presidente ‘‘irá até a última instância em busca dos direitos que julga ter’’.
A campanha do ex-presidente está orçada em R$ 5 milhões e deverá partir para críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso. O objetivo é contestar a política nas áreas de educação saúde, emprego e segurança, além de questionar o programa de ajuda aos bancos, o Proer. ‘‘O nosso desafio é colocar todas as mensagens em tão pouco tempo’’, admitiu Curvelo.
A aparição de Collor foi possível graças a uma liminar obtida no Supremo Tribunal Federal (STF) garantindo a veiculação de sua propaganda eleitoral. Estimulado pela vitória parcial na Justiça Fernando Collor está confiante na arrancada de sua candidatura. ‘‘O presidente está muito animado’’, contou seu secretário, para quem a entrada do ex-presidente na disputa vai forçar um segundo turno. ‘‘O favoritismo do Fernando Henrique é muito alto nas pesquisas que não o incluem’’, justifica Curvelo.
Segundo ele, a partir de 1º de setembro, Collor vai dar início à sua campanha pelos estados. A peregrinação deverá começar por São Paulo, o maior colégio eleitoral do País.

mockup