Collor levantou denúncia contra FHC
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quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Rosa Costa Agência Estado 
O senador Djalma Falcão (PMDB-AL) revelou ontem em plenário que o ex-presidente Fernando Collor levantou, antes do primeiro turno, denúncia contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Mário Covas, e os ministro da Saúde, José Serra, e das Comunicações, Sérgio Motta, morto em abril. A estratégia foi a mesma utilizada pelas filhas do presidente do PPB, Paulo Maluf, a de apresentar a outros políticos denúncia de que eles seriam sócios de uma firma instalada nas Ilhas Cayman, conhecido como paraíso fiscal.
O senador informou que 14 ou 15 dias antes das eleições em primeiro turno, foi procurado pelo seu sobrinho, o ex-deputado Cleto Falcão, líder do PRN no governo de Collor. Ele lhe disse que o ex-presidente desejava encontrá-lo o mais rápido possível. Acertaram que seria numa quarta-feira, às 21 horas. A conversa na casa de Collor começou com o ex-presidente dizendo que tinha em seu poder uma denúncia capaz de provocar a perda do atual mandato de Fernando Henrique e de inviabilizar a sua reeleição. Ele (Collor) disse que tinha uma revelação a fazer que considerava o maior escândalo da República, informou o senador.
Collor lhe assegurou que o ex-presidente do Banco do Brasil, Lafayette Coutinho - que estava em São Paulo - possuía documentos que comprovavam a existência de uma firma fantasma aberta por Fernando Henrique, Covas, Serra e Motta. Para lá, segundo o ex-presidente, já haviam sido desviados US$ 400 milhões. Sua intenção era a de que Falcão fizesse essa denúncia no plenário do Senado. O senador respondeu que atenderia ao pedido, desde que recebesse documentos oficiais de Cayman, reconhecidos pelo governo e traduzidos por um tradutor juramentado. Collor prometeu atendê-lo, mas não deu mais notícias. Para Djalma Falcão, esse tipo de saída comprovou que tudo não passava de uma farsa para prejudicar a reeleição do presidente Fernando Henrique.
Passei a ter a convicção que tudo não passou de uma mentira, afirmou. O senador disse que deu o caso por encerrado e não chegou a comentá-lo com ninguém. Nem mesmo com o titular da cadeira que ocupa no Senado, o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Tirei minhas conclusões pela forma como o fato ocorreu, frisou. Falcão disse que só voltou a se lembrar do episódio esta semana, quando leu a notícia de que familiares de Paulo Maluf levaram a denúncia à deputada Marta Suplicy, candidata derrotada do PT ao governo de São Paulo.
O senador assumiu em mandato em abril, quando Renan substituiu o lugar do senador Íris Rezende (PMDB-GO) no Ministério da Justiça. Mas não se trata de um novato na política. Ele foi eleito duas vezes deputado - de 1963 a 1965 e de 1967 a 1971 . Foi prefeito de Maceió e está entre os históricos que fundaram o MDB. Falcão substituiu Covas em 1968 na liderança do partido, quando o deputado paulista teve o seu mandato cassado. Hoje é presidente do PMDB de Alagoas.
O senador assegurou que não mantém relacionamento pessoal com o governador de São Paulo. Hoje, somos adversários políticos, afirmou. Frisou o fato para demonstrar que não tem a intenção, com o seu relato, de salvar a pele de ninguém. Estou agindo pelo meu mandato, afirmou. O que eu sei é que Collor tinha interesse em denunciar essa suposta operação, afirmou. Ele fez o comunicado num aparte concedido pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que comentava o episódio envolvendo Maluf na tribuna do Senado.


