Collor faz visita ao Senado com a mulher
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sexta-feira, 13 de outubro de 2006
Eugênia Lopes<br> Agência Estado 
Brasília - Passados 14 anos do impeachment, o senador eleito Fernando Collor de Mello (PRTB-AL) fez ontem pela manhã uma visita ao Senado. De mãos dadas com a mulher, Caroline Medeiros, Collor desfilou sorrindo pelas dependências da Casa, mas preferiu não dar declarações. Numa conversa reservada com o senador Siqueira Campos (PSDB-TO), ele afirmou que, na avaliação dele, a campanha do segundo turno das eleições para presidente está morna.
''Ele (Collor) disse que não está vendo uma campanha apaixonada, com gente nas ruas'', afirmou Campos. Há 14 anos, a população foi para as ruas para pedir a cassação do mandato do ex-presidente. Eleito pelo PRTB, com mais de 500 mil votos, Collor também se mostrou interessado nas discussões do Congresso sobre a cláusula de barreira, que começou a vigorar nestas eleições. Por este dispositivo, apenas os partidos que obtiveram 5% dos votos apurados, distribuídos em pelo menos nove Estados, têm direito a funcionamento parlamentar (liderança e participar de comissões temáticas).
''O Collor lembrou que existe um respaldo popular para a existência desses partidos, como o PCdoB e o PV'', observou o senador do PSDB do Tocantins, que, em 1992, era deputado pelo PDC e votou pelo impeachment do ex-presidente. O gabinete de Campos, que não foi reeleito, poderá ficar para uso de Collor. O senador eleito do PRTB de Alagoas também avisou que usará o apartamento funcional do Senado. A Casa da Dinda será usada apenas nos fins de semana.
Nas eleições deste ano, Collor entrou na corrida para o Senado no fim da campanha, substituindo um candidato com poucas chances de vitória na legenda. O senador eleito do PRTB, que se sentará na cadeira do plenário destinada hoje à presidente nacional do PSOL e líder da sigla na Casa, Heloísa Helena (AL), anunciou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B). Derrotado por Collor em 1989, Lula disse, na semana passada, que ele tem condições de ''fazer um trabalho excepcional no Senado, se quiser''.
Além da sala de Campos, o senador eleito foi ao plenário do Senado que confirmou a cassação do mandato dele, em 1992, mesmo depois de ter apresentado a carta de renúncia. Após o impeachment, Collor ficou inelegível por oito anos. Em 1994, o senador tentou candidatar-se a presidente, mas não obteve registro. Collor ainda disputou a Prefeitura de São Paulo, em 2000, e o governo de Alagoas em 2002, quando foi derrotado nas duas eleições.


