Collor, ex-ministros e presidente nacional do PP são alvos da PF
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terça-feira, 14 de julho de 2015
Talita Fernandes,Fabio Fabrini,Beatriz Bulla,Dida, Daniel e Fausto<br>Ag. Estado 
Brasília - A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Politeia, a primeira fase da Lava Jato nas investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e que, portanto, atingem suspeitos com foro privilegiado. Na operação, foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão em Brasília e em seis Estados, o que deflagrou pânico entre políticos. Entre os principais alvos de ontem estão três senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Collor (PTB-AL) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), além do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, e o ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC).
Segundo a PF, foram apreendidos documentos, joias, artigos de luxo e dinheiro vivo nos locais. Em um balanço parcial, a PF informou a apreensão de dinheiro em três moedas: R$ 4 milhões; US$ 45 mil; e 24,5 mil euros. Além disso, foram apreendidos oito veículos, sendo cinco de luxo; duas obras de arte; joias, relógios, HDs, mídias e documentos. As buscas foram realizadas em Brasília, Alagoas, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Além de políticos, o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, também teve sua casa e seu escritório, ambos em Brasília, alvos das buscas e apreensões. A PF também fez buscas na Refinaria de Abreu e Lima, em Ipojuca - PE, além de endereços de ex-diretores da BR Distribuidora Luiz Cláudio Caseira Sanches e José Zonis, no Rio de Janeiro. Ambos foram indicados aos cargos pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), suspeito de receber propina no esquema de corrupção da Petrobras. Sanches ocupou a diretoria da Rede de Postos de Serviço e Zonis, a diretoria de Operações e Logística.
Três dos carros de luxo foram encontrados na Casa da Dinda, de propriedade de Collor, a Polícia Federal apreendeu ainda R$ 3,67 milhões em uma empresa em São Paulo, de posse do empresário Carlos Alberto Santiago, que é dono da Aster Petróleo. Santiago teria intermediado pagamento de propina para Fernando Collor de 1% sobre contrato de R$ 300 milhões da BR Distribuidora. As buscas referentes ao dono da rede de postos foram realizadas em três endereços. Em um deles, um escritório em São Paulo, em um cofrão, é que foram encontrados R$ 3,6 milhões em dinheiro vivo.
Os pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) devem sustentar a abertura de novos inquéritos e reforçar indícios de participação de investigados no esquema que promoveu desvios na Petrobras. Tramitam hoje no Supremo 25 inquéritos dos quais 48 políticos e dois operadores são alvos.
Contudo esse número poderá aumentar porque entre maio e junho, o STF homologou duas novas delações, que podem dar origem a novas investigações. Uma delas foi a de Rafael Angulo, considerado o "mensageiro" do doleiro Alberto Youssef, outro delator da Lava Jato, e Ricardo Pessoa, dono da UTC/Constran e considerado o "chefe" do club VIP das empreiteiras investigadas.
Até o momento, essas duas novas delações não deram origem a novos inquéritos, mas no fim de junho, a PGR encaminhou ao Supremo 30 procedimentos referentes à delação de Ricardo Pessoa. Esse material está sob sigilo até que a Procuradoria e o STF decidam sobre quais inquéritos serão abertos para apurar suposto envolvimento dos citados pelos delatores.
De acordo com a PF as ações foram deflagradas com o objetivo de "evitar que provas sejam destruídas pelos investigados". As ações foram autorizadas pelos ministros Teori Zawascki, Celso de Mello, e Ricardo Lewandowski, todos do STF. As buscas foram realizadas nas residências dos investigados, em seus endereços funcionais, escritórios de advocacia, órgãos públicos e sedes de empresas, como a sede do canal de TV controlado por Collor, em Alagoas.
Politeia, em grego, faz referência ao livro "A República", de Platão, que descreve uma "cidade perfeita", na qual a ética prevalece sobre a corrupção.


