Collor é vaiado, xingado e leva tapa
Tumulto aconteceu na Câmara de Vereadores de Mogi das Cruzes, onde ex-presidente falou sobre sua volta à política
Agência Estado
O ex-presidente Fernando Collor de Mello, que pretende disputar a eleição presidencial deste ano, foi vaiado, xingado, levou trancos e um tapa na cabeça - embora o assessor dele negue -, na visita que fez ontem à Câmara de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O Audi AS 2.8, placa GGG-3455, de São Paulo, do empresário Georges Guazale, que o acompanhou, teve um pneu furado e foi preciso chamar reforço da Polícia Militar.
Houve briga do lado de fora da Câmara: o coordenador do Movimento Popular Collor Já, César Davi, trocou socos com o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) estadual Oswaldo Nasser dos Santos. ‘‘Só jogaram papelote e alguns empurrões’’, disse o ex-presidente, antes de fazer uma palestra na Associação Comercial de Mogi das Cruzes, e onde chegou meia hora antes do previsto por causa do tumulto na Câmara.
‘‘Normalmente, temos dois policiais aqui, e, agora, estamos com 40 homens para controlar a manifestação’’, disse o coronel Henrique Marcíglia, comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Segundo o coronel, no início da manifestação, às 17 horas, havia cerca de 200 pessoas em frente da Câmara. Uma hora depois, cerca de 50 pessoas ainda aguardavam a saída do ex-presidente. O diretor da CUT protestou e chamou de ‘‘coronéis’’ os vereadores de Mogi das Cruzes. Várias pessoas que estavam com um folheto, assinado pelo PRN e PSC, convidando a população a comparecer à Câmara para a palestra de Collor, foram proibidas de entrar no prédio.
No plenário da Câmara, Collor foi recebido sob vaias e gritos de um pequeno grupo que teve acesso ao local. Eles puxavam o côro de ‘‘Ladrão e corrupto’’. O presidente da Câmara, Ivan Nunes Siqueira (PMDB), chamou a PM para tirar do plenário os manifestantes contrários à presença de Collor, afirmando que ‘‘era uma vergonha para Mogi das Cruzes’’. Da galeria, ouviram-se gritos contra Collor, o presidente do PSC de Mogi das Cruzes, empresário Antônio Carlos Lopes, a vereadora Carina Marques (PSC) - ela cedeu a própria casa para o ex-presidente dar uma entrevista coletiva - e, pai dela, César Davi. A vereadora foi vaiada sob os gritos de ‘‘Paquita’’.
Collor falou durante 13 minutos para um plenário que reuniu todos os vereadores da cidade. Disse que os gritos histéricos não o assustam e que também não teme ‘‘os aparentados do Itamar (Itamar Franco, pré-candidato a governador de Minas Gerais e ex-presidente) que dão faniquitos’’. Collor disse ver na manifestação contrária uma homenagem dos adversários, pois esses reconhecem que ele veio para ganhar a eleição. O ex-presidente afirmou ainda que está pronto para combater essas coisas. ‘‘Para dizer a FHC, vagabundo é você (referindo-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso e à declaração sobre quem se aposenta com menos de 50 anos.’’
Quando terminou a reunião no plenário, Collor foi levado para a sala do presidente da Câmara, enquanto aguardava que a PM providenciasse segurança suficiente para a saída. Enquanto esperava, foi informado que o Audi estava com o pneu furado.
‘‘Collor é assim mesmo, quis sair por onde entrou’’, contou Gazale. O ex-presidente ficou sitiado na sala do presidente da Câmara junto com os vereadores, enquanto os seguranças particulares e PMs trocavam o pneu do carro. Mas, na saída, sob vaias e gritos de ‘‘Fora Collor!’’, os seguranças particulares e os PMs não conseguiram impedir os trancos, safanões e o tapa, por trás, na cabeça de Collor.

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