Brasília - Em um recado aos congressistas investigados na Operação Lava Jato, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) disse ontem que todos poderão ser "vítimas" da atuação do Ministério Público Federal que "deturpa" a democracia no país. Alvo de uma ação de busca e apreensão da Polícia Federal em suas residências esta semana, Collor fez um apelo para que o Congresso tome medidas que restrinjam a atuação da Procuradoria-Geral da República - que conduz as investigações da Lava Jato. O senador fez uma espécie de ameaça velada aos colegas ao afirmar que, assim como ele, todos poderão ser alvo do Ministério Público caso não reajam com medidas mais duras contra o órgão.
"Não se iludam, pois ninguém está livre disso. Daqui mesmo desta Casa, novas vítimas podem sair, novas histórias poderão ser maldosamente construídas. Estamos num terreno de um verdadeiro vale-tudo. O próprio cidadão indefeso, sem imunidades, sem prerrogativas de foro, está ainda mais vulnerável ao estado repressor do Ministério Público Federal", atacou Collor.
Em apoio a Collor, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a reação do Congresso contra a ação de busca e apreensão da Polícia Federal não é apenas para questionar suas competências, mas de preservação da democracia no país. O Senado considerou uma "invasão" a entrada de agentes da PF em imóveis de senadores sem a apresentação de mandados de segurança à Polícia Legislativa.
Renan também é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, assim como outros 12 senadores, como Edison Lobão (PMDB-MA), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Fernando Bezerra (PSB-PE).
Na terça-feira, policiais vasculharam residências de Collor em Brasília e Maceió e a sede da TV Gazeta, afiliada da TV Globo que é controlada por sua família. Também foram alvo da ação os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e os ex-deputados Mário Negromonte (PP) e João Pizzolati (PP-SC). No caso de Collor, além de documentos e computadores, os agentes apreenderam três automóveis -uma Ferrari, um Porshe e uma Lamborghini. Os veículos estão em nome de empresas.

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