O superintendente regional do Banestado, José Collete, reafirmou ontem em depoimento à Polícia Federal (PF) que as 30 contas fantasmas de agências de Londrina foram abertas por solicitação do ex-diretor de operações do banco, Gabriel Nunes Pires. Collete foi ouvido de manhã, por mais de duas horas, pelo delegado Sandro Roberto Viana dos Santos. À tarde, também prestaram depoimento o gerente da agência centro do Banestado, Wilson Maeda, e o lavrador José dos Santos.
Collete saiu da PF sem dar entrevistas. O advogado Júlio Cezar Rodrigues, que acompanhou o superintendente, alegou que estaria impedido de falar porque a investigação corre em segredo de Justiça. ‘‘Mas foram depoimentos muito esclarecedores, que nos ajudaram a montar o quebra-cabeça’’, avaliou o delegado, que deverá prosseguir com os depoimentos na próxima semana. Ele também aguarda documentação das contas que serão enviadas pelo próprio Banestado.
Na semana passada, em Curitiba, Gabriel Pires refutou as acusações de Collete, de que seria o responsável pelas irregularidades. Mas a PF já teria documentos, inclusive com a assinatura do ex-diretor, solicitando que as contas bancárias permanecessem em operação.
As 30 contas fantasmas foram abertas entre 1998 e 1999 e serviram para lavar parte do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. O movimento diário chegou a US$ 450 mil. Além da prefeitura, as contas podem ter sido utilizadas para lavar dinheiro do contrabando e do narcotráfico. O Ministério Público acredita que um doleiro da cidade possa estar por trás do esquema.
Como Collete, Maeda também saiu do depoimento sem dar declarações. O ‘‘laranja’’ José dos Santos, de Florestópolis, esteve na PF acompanhado do advogado Vilson Galvão e reafirmou declarações dadas à imprensa. Ele disse que teve fotos 3 x 4 roubadas por uma pessoa chamada ‘‘Lorival’’, conhecida como ‘‘Primeirinha’’. O lavrador afirmou que quando descobriu que as fotos foram utilizadas para a abertura de uma empresa chamada ‘‘Freitas & Dutra’’, cobrou explicações de Lorival. Este respondeu que a responsabilidade seria o servidor municipal João Edson Danzinger, conhecido por ‘‘João Boquinha’’.
O nome de Danzinger também surgiu no depoimento do contador Ilvino Fazoli, de Londrina. Danzinger teria ‘‘encomendado’’ ao contador a elaboração dos contratos sociais das 30 empresas fantasmas. Além disso, a PF apurou que o servidor estaria envolvido no envio irregular de recursos para o exterior por meio de contas CC-5. Danzinger não foi ouvido ontem, como havia expectativa, mas o depoimento deve ocorrer na semana que vem.
Além das contas abertas no Banestado de Londrina, o dinheiro desviado da prefeitura passou pela conta da empresa Realty Participações, de São Bernardo do Campo (SP). A Realty tem 99% do capital pertencentes à Norgred Sociedad Anonima, empresa uruguaia utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello na chamada ‘‘Operação Uruguai’’. O restante pertenceria a Márcio Luchesi, que deve ter a prisão solicitada pela PF. (Colaborou Lino Ramos)

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