Dar início ao processo de privatização das empresas do grupo Banestado, ampliar a carteira de crédito agrícola e melhorar a qualidade da prestação de serviços são as metas do novo presidente do Banestado, Neco Garcia. Ele participa hoje, em Curitiba, de uma reunião com conselheiros e na sexta-feira, se encontra com o ainda presidente da instituição, Domingos Murta Ramalho. A posse de Garcia está programada para terça-feira, junto com os novos secretários nomeados anteontem por Lerner.
Como passíveis do processo de privatização das coligadas do grupo, ele cita a seguradora e a reflorestadora, além do Banco Del Paraná. Ele adianta que o próprio Banestado vai passar por um amplo processo de análise. ‘‘A privatização é uma filosofia do Banco Central e o desempenho do Banestado vai estar sendo avaliado. Já as coligadas que não estiverem preenchendo os requisitos devem ser vendidas’’, defende.
Ele reconhece, porém, que se o Banco servir de fato como agente de fomento do Estado, é importante ao governo mantê-lo sob controle. ‘‘Mas tudo ainda depende de estudos’’, afirma. Ele lembra que com a perda do Bamerindus para um grupo internacional, o Banestado hoje é o único banco paranaense.
Neco Garcia garante que não está assustado com o fato de o banco ter sido citada pelo senador Roberto Requião (PMDB) no relatório da CPI dos Precatórios como ‘‘tomador final’’ do esquema dos precatórios. ‘‘Ele (Requião) foi governador do Estado e talvez isso faça parte da ‘herança’ deixada por ele’’, reagiu Garcia. Ele disse que ainda não teve acesso aos documentos e balancetes do banco, mas tem informações iniciais de que existe um certo equilíbrio financeiro. ‘‘Os chamados créditos duvidosos foram transferidos para o governo, mas os detalhes mesmo só depois das reuniões e de analisar as contas’’.
Sobre as linhas de crédito agrícola, Neco Garcia pretende implementá-las. ‘‘Tenho raízes na agricultura e vou valorizá-la’’, promete. Ele diz que os financiamentos da carteira agrícola respondem por apenas 3%, enquanto a área comercial consome 44% e a imobiliária, 38%. Murta Ramalho defendia a extinção do crédito agrícola. ‘‘É um disparate num Estado eminentemente agrícola, ainda mais quando o Paraná passa por um processo de reativação de seu parque cafeeiro’’. Ele pretende criar linhas específicas para o café.
No item melhoria da qualidade de serviços, ele defende a ampliação da prestação de serviços. Muitas agências não recebem mais contas de água, luz e telefone. ‘‘Isso é um absurdo porque o banco tem que facilitar e não dificultar a vida do cliente. Como prestador de serviço, o banco tem que atender, e bem’’, acredita.
Ele deixa a presidência da Sociedade Rural do Paraná no sábado e passa o cargo para o vice, Luiz Roberto Neme. Sobre as críticas feitas ao secretário de Estado da Segurança, Cândido Manoel Martins de Oliveira, ele diz que mantêm todas. ‘‘Tenho sérias divergências com a conduta profissional dele, vou ter que encontrá-lo socialmente, mas mantenho as críticas’’, admite.

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