Coligações prejudicaram, avaliam derrotados na AL
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O resultado das urnas foi amargo para ao menos dez dos 54 deputados estaduais hoje com mandato na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Candidatos à reeleição, eles acabaram prejudicados pelas complexas alianças partidárias firmadas ou pela concorrência de novatos, a maioria representante de famílias também com tradição na política do Estado.
A renovação de 21 cadeiras se deu, ainda, mediante a "migração" de três parlamentares para a Câmara dos Deputados, em Brasília (outros dois, que tentaram o posto, não se elegeram), e pela desistência de cinco dos atuais membros da AL de concorrer novamente. Há também o caso de Roberto Accioli (PV), cuja candidatura foi indeferida, em um primeiro momento, pela Justiça Eleitoral.
Entre os derrotados, cinco são do PMDB: Waldyr Pugliesi, Stephanes Junior, Cleiton Kielse, Luiz Eduardo Cheida e Caíto Quintana. A legenda chegou ao pleito rachada, por conta da disputa interna entre o senador Roberto Requião e os defensores da coligação com o governador reeleito Beto Richa (PSDB). "A gente sabia que a situação do partido não era muito boa para concorrer sozinho. E como naquela oportunidade o meu nome era o indicado para vice (de Beto), o Requião e outros membros do PMDB chegaram em municípios e colocaram que nós estávamos traindo o partido. Isso repercutiu muito", lamentou Caíto.
Atualmente exercendo seu oitavo mandato, ele ocupou a chefia da Casa Civil em duas das três gestões do senador no governo (1991/1994 e 2002/2006). Por isso, sua migração para a ala dissidente da sigla não foi bem recebida pelos requianistas. "Eleição não se explica, né? Tem resultado que você não consegue identificar de onde veio a mudança de comportamento do eleitor", afirmou. Questionado pela FOLHA sobre qual deve ser seu futuro, emendou: "Agora? Deus sabe lá o que acontece".
Um dos fundadores do MDB e, depois, do PMDB, Pugliesi também atribuiu a diminuição da bancada da sigla na AL, de 13 para oito, à divisão entre os grupos. No entanto, garantiu não ter mágoa de ninguém. "Estou completando o décimo mandato. Vou continuar a minha caminhada dentro da política, como eu sempre fiz. Eu nasci político e acredito que vou morrer político".
Para o hoje líder da oposição, Elton Welter (PT), apesar de dolorosa, a derrota "faz parte do jogo". "Eu respeito o processo eleitoral. Tive uma votação grandiosa em todo o Paraná e continuarei fazendo política, como militante de base. Sou uma apaixonado pela vida pública e não dependo de mandato para fazer articulação política".
De acordo com o petista, a aliança com o PDT foi um dos motivos que levou o PT a perder quatro representantes na AL. "A gente sabia que estava correndo o risco e apostou na eleição majoritária (com a senadora Gleisi Hoffmann). Acredito também que se a campanha majoritária tivesse alçado mais votos, a bancada teria entrado junto", opinou. Welter também defendeu a realização, com urgência, de uma reforma política. "O modelo brasileiro, que permite amplas coligações, está com os dias contados. É um processo excludente. Ele privilegia quem é muito rico e cria desproporcionalidades na representação".
Outro a defender a revisão do sistema atual é Wilson Quinteiro (PSB). Diferentemente de Welter, porém, ele critica a proporcionalidade das eleições para o Legislativo. "É a terceira vez que acontece isso comigo: sou um dos mais votados do Paraná e, por um contexto de legenda, não sou eleito". O pessebista citou o fato de 18 vitoriosos no pleito de 5 de outubro terem recebido menos votos do que ele. "E eu como o 37º mais votado do Estado, tendo 54 cadeiras, não sou reeleito".
Cotado para assumir uma das secretarias do governo Beto Richa, Quinteiro disse que a decisão cabe ao governador. "Sabemos que nós temos grandes secretários que já compunham e que fizeram uma boa gestão, mas é natural até que exista algum procedimento de readequação. É uma expectativa que todos que são do grupo têm, de bem servir ao Paraná. Todavia, nós temos que ter o equilíbrio de entender as circunstâncias como elas são".



