A convenção nacional do PDT marcada para esta segunda-feira e que irá definir se o partido lançará ou não o senador Cristóvam Buarque para a presidência da República, irá traçar também as coligações de pelo menos outros quatro partidos no Estado.
Um acordo firmado há dois anos uniu PSDB, PFL, PSB e PP em torno da pré-candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Estado. No entanto, a confirmação de Buarque para a disputa pode inviabilizar a chamada Frente de Oposição ao governador Roberto Requião (PMDB), devido a verticalização (regra que determina que todas as alianças fechadas em nível nacional devem ser seguidas pelos mesmos partidos nos Estados), e a cláusula de barreira (em que somente partidos que obtiverem pelo menos 5% dos votos para deputado federal nas eleições de 2006, com pelo menos 2% em nove estados, poderão constituir-se como bancada nas casas legislativas).
Um exemplo dessa ''dependência'' do PDT é o PSDB. Lideranças paranaenses do partido que têm o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como pré-candidato à presidência marcaram uma reunião com as bancadas estadual e federal para a noite do dia 19, horas depois da convenção pedetista. ''Vamos nos reunir para traçarmos o nosso caminho e vamos trabalhar em cima definição do PDT (se vai ter candidato próprio à presidência). Fala-se em candidatura do Gustavo Fruet ao governo do Estado. Existe a proposta liderada pelo deputado Hermas Brandão de acordo com Requião, e existe também o Rubens Bueno, com quem conversamos essa semana e que está querendo compor conosco'', afirmou o presidente interino do PSDB no Paraná, deputado Valdir Rossoni.
O PFL que nacionalmente deve consolidar a coligação com o PSDB também ficaria impossibilitado de fechar com o PDT. ''Pela lógica eu vejo que é um erro estratégico o PDT ter candidatura nacional que vai inviabilizar as coligações estaduais. Se o PDT dificultar a vida das coligações estaduais vai estar matando a legenda nos estados mas, em política, nem sempre o bom senso vence'', disse presidente estadual do PFL, deputado Abelardo Lupion. Conforme Lupion, caso a candidatura de Buarque se confirme, o partido pode apoiar o PPS, do pré-candidato ao governo, Rubens Bueno.
De olho na disputa estadual, a candidatura de Buarque encontra rejeição entre as lideranças do próprio partido no Paraná. ''Vamos participar (da convenção) mas obviamente temos nossa posição tomada que é a de que o partido não tenha candidato a presidente para fortalecer os estados'', disse o presidente interino do PDT no Estado, Augustinho Zucchi. ''Quase a totalidade dos deputado federais e senadores fizeram um documento contra a candidatura própria à presidência. Esse documento é emblemático e expresa a opinião das lideranças, posição que defendemos há muito tempo'', defendeu Zucchi, antecipando que irá votar contra a candidatura de Buarque na convenção.
Apesar da dúvida em relação ao encaminhamento nacional, Zucchi assegurou que o partido terá candidato ao governo. ''Estamos preparados para os dois cenários, tendo ou não candidato a presidente. Com candidato, se limitam as alianças mas não impede a candidatura. Temos condições de ter uma coligação com outros partidos que não têm candidato à presidência. Com ou sem candidato à presidência, o PDT poderá ter o senador Osmar Dias como candidato ao governo'', concluiu.

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