Coligações atropelam as divergências partidárias
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domingo, 02 de julho de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Durante a atual gestão do governador Roberto Requião (PMDB) os deputados estaduais do PSDB ideologicamente um partido de oposição ao PMDB fizeram uma legislatura dividida: dois deputados sempre fizeram oposição ferrenha ao governador e sete votaram com o governo em boa parte dos projetos.
O PT, que tem muitas idéias semelhantes ao PMDB e que inclusive recebeu apoio do governador nas últimas eleições presidenciais, também sempre ficou dividido na Assembléia Legislativa. Dos seus nove deputados, dois adotam postura clara de oposição ao governo e sete apóiam Requião.
Os exemplos dos dois partidos que, depois do PMDB, possuem as maiores bancadas de deputados na Assembléia deixa clara a confusão com que o eleitor se depara quando pensa nas alianças e apoios que se firmaram para estas eleições no Paraná.
Seria certo oposição se unir com a situação? Seria certo dar apoio a um partido em uma eleição e dar apoio ao opositor na reeleição? Os especialistas ouvidos pela Folha mostram dois lados destas situações. Por um ângulo, essas alianças são válidas porque o que importa é o resultado final para a população. De outro, os partidos deveriam respeitar sua linha ideológica e programática porque isso deveria ser o referencial do eleitor na hora da escolha.
''Quem tem mais alianças, mais apoios, tem condições de se posicionar melhor nas eleições. É uma questão que atravessa o espectro político-partidário. Política é feita de alianças e há muito pragmatismo na atual conjuntura. Quem não adota esta postura tende a ficar em posição isolada e minoritária'', defende o doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira.
Para Oliveira, portanto, união entre adversários significa até inteligência política. ''Do ponto de vista do governador é melhor ter o PSDB como seu aliado'', avalia.
Já o doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Centro Universitário Positivo (Unicenp), Alexsandro Eugênio Pereira, argumenta que os partidos são a ligação entre a sociedade e o parlamento e por isso deveriam ser referência. ''Quando observamos isso do ponto de vista partidário é ruim. Os partidos deveriam ter unidade de conteúdo programático e estratégica política. Os partidos deveriam ser mais fortes porque fazem a ligação entre a sociedade e o Estado'', analisa. Da forma como é hoje, acredita Pereira, os partidos atendem mais interesses de grupos individuais do que o de realizar projetos.
Pereira defende também que a dança dos partidos confunde o eleitor. ''Ele não percebe coerência nos partidos. No Brasil a gente encontra muitos políticos que não têm posição definida, que se colocam ao sabor da situação. E a coerência ajudaria na aproximação entre candidato e eleitor'', explica. ''Se o candidato tiver mais coerência, é possível canalizar votos de eleitores com afinidade com os seus projetos. Mas no Brasil as pessoas têm mais afinidade com pessoas do que com projetos'', completou.


