No primeiro turno das eleições municipais em Londrina, o eleitor que saiu de casa para votar se surpreendeu com a panfletagem que cobriu ruas e calçadas, na atitude que desrespeitou o acordo feito entre os partidos e a Justiça Eleitoral. Neste segundo turno, na véspera da eleição já houve apreensão de meia tonelada de material apócrifo entregue à 157 Zona Eleitoral.
Ao todo, sete tipos de panfleto sem assinatura foram coletados por equipes da coligação Bem Londrina, do candidato à reeleição Nedson Micheleti (PT), e amontoados em frente à sede de Fórum, no final da manhã. O ato foi acompanhado por membros do comitê suprapartidário de apoio a Nedson e por advogados e coordenadores da campanha petista, os quais entregaram uma petição de oito páginas à 157 . No documento pedindo busca e apreensão dos panfletos nas ruas, na casa de Antonio Belinati (PSL) e em uma gráfica de Cambé (13 km a oeste de Londrina), a Bem Londrina citava não só o ex-prefeito como também sua coligação, A Vitória do Povo, além de outras oito pessoas ligadas a ele, entre advogados, vereadores e coordenadores de campanha.
Coordenador do grupo de Nedson, o deputado estadual André Vargas (PT) classificou os panfletos coletados por pelo menos cinco carros e uma perua em todas as regiões da cidade como ofensa à honra do petista, o que configuraria crime eleitoral previsto na resolução 21.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ''Fizemos acordo de não distribuir panfletos dessa forma; eles derramaram meia tonelada'', disse, referindo-se ao ''time que atua em nome do Belinati''. Vargas informou que a coligação faria vigilância na noite passada e nessa madrugada para coibir novas atitudes do tipo e temeu que, caso elas aconteçam, possa haver conflito entre os simpatizantes. ''Vamos pedir à Polícia Federal que reforce o policiamento'', destacou.
Entre o material de conteúdo ofensivo havia também um fac-símile reproduzindo, com uma montagem, uma chamada de capa da edição de quarta-feira passada da Folha. Na ocasião, o jornal veiculou o transporte de 17 toneladas de moedas que haviam chegado Banco do Brasil para serem distribuídas às agências do Norte do Estado. No panfleto, contudo, o dado foi distorcido como sendo o dinheiro ''usado para reeleição do prefeito Nedson'', que faria boca-de-urna com o montante. A assessoria jurídica da Folha foi acionada e deve tomar as providências judiciais nos próximos dias.
Um dos advogados de Belinati, Eduardo Franco, sugeriu que o material levado pelo PT à sede do Fórum pode ter sido confeccionado pelo próprio partido de Nedson. ''Estão fazendo essa bagunça porque estão desesperados. Não fomos notificados de nada'', declarou, pouco antes de um bate-boca entre ele, um membro do PSL e o grupo de petistas que estava no Fórum.
O coordenador da eleição em Londrina, juiz Jurandyr Reis Junior, lamentou o procedimento que, na opinião dele, ''tenta tumultuar o eleitor e a democracia londrinense''. ''Fiquei surpreso, até porque no primeiro turno a propaganda de rua foi relativamente tranquila'', lembrou.
Já a juíza da 157 Zona, Cristiane Willy Ferrari, destacou que o derrame de certa forma ''coroou'' as duas últimas semanas de trabalho da fiscalização, que quase diariamente recebeu denúncias de panfletagem apócrifa ou injuriosa. ''Antes foram denúncias de propaganda fora de época; agora, surpreendeu o tanto de pedidos urgentes de apreensão de material com ataques pessoais'', disse.
A presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Rosimeiri Suzuki de Lima, contou que a meia tonelada de ontem atrapalhou a varrição em alguns bairros da cidade, mesmo com uma equipe dobrada de funcionários. ''Normalmente usamos 80 trabalhadores; ontem foram 150'', comentou. Ela disse que também pediria reforço no policiamento noturno em todas as regiões de Londrina.

mockup