Coligação de Requião denuncia suspeita de compra de votos
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terça-feira, 26 de setembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A campanha de reeleição do governador licenciado Roberto Requião (PMDB) entrou ontem com uma representação pedindo investigação de indícios de compra de votos durante um comício ocorrido no dia 24 de setembro em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o advogado Guilherme Gonçalves, operacional jurídico da campanha, o comício - promovido para beneficiar o candidato ao governo Osmar Dias (PDT) - ofereceu um almoço gratuito para cerca de 4 mil pessoas. Os convidados teriam recebido ingressos numerados. ''Isso é gravíssimo e tem relevância eleitoral'', disse Gonçalves.
A representação, protocolada no Tribunal Regional Eleitoral, pede ainda a aplicação de multa e a cassação da candidatura de Osmar Dias ao governo do Paraná. O comício e o almoço no domingo foram promovidos por um grupo de 15 empresários liderados pelo ex-prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazzari, e pelo empresário Amauri Stresser. Nazzari (conhecido na região como João da Brascal) confirmou que os empresários promoveram o comício num supermercado da Região Metropolitana de Curitiba.
Após o comício, Nazzari teria oferecido um almoço para os participantes e simpatizantes dos candidatos Osmar Dias, Mário Sérgio Bradock (PMDB), Max Rosemmann (PMDB) e Reinhold Stephanes Júnior (PMDB). ''Oferecemos um churrasco com carne e pão. O churrasco foi numa área particular. Somente participamos nós, os empresários, e os militantes. Convidamos crianças, adultos, analfabetos. Todos estavam lá. Foi uma festa entre amigos'', garantiu Nazzari. Os empresários ofereceram 15 bois no churrasco que foram abatidos em um frigorífico com a inspeção da Vigilância Sanitária. ''Quem doou a comida fomos nós mesmos. Como pode dizer que estamos comprando voto?'', questionou.
Nazzari destacou que Osmar nem participou do almoço, apesar de ter sido convidado. ''Se entrarem com representação contra o Osmar, terão que entrar contra eles mesmos. Afinal, todos os candidatos que simpatizamos - exceto para o governo - são do PMDB. O cartaz dos nossos candidatos a deputado estadual e federal estavam lá também. Nem por isso, eles deram dinheiro para o comício ou para o jantar.''
A Folha entrou em contato ontem com os demais candidatos citados. Bradock não quis atender a reportagem, mas mandou dizer que não participou do comício ou do almoço promovido por Nazzari. A assessoria da campanha de Max Rosemann também informou que o deputado federal não foi convidado para o comício, nem participou do almoço. Stephanes Júnior não foi encontrado.
A assessoria jurídica de Osmar Dias informou ontem à tarde que só vai se manifestar sobre o assunto depois de oficialmente notificada. A coordenação da campanha do senador acredita que o PMDB está tentando desviar a atenção da população criando um ''factóide''.


