Coligação acusa Vanhoni e Lula de abuso de autoridade
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Folhapress 
Curitiba - A coligação ''Curitiba melhor para você'', do candidato Beto Richa (PSDB), protocolou ontem, na 1 Zona Eleitoral da cidade, um pedido de investigação sobre a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Curitiba na segunda e na terça-feira, sob acusação de que a agenda oficial do presidente foi um pretexto para que ele manifestasse apoio ao candidato do PT, Ângelo Vanhoni.
Na ação, a aliança liderada pelo PSDB pede a cassação da candidatura de Vanhoni e dos direitos políticos dele e do presidente por três anos. O argumento é que o presidente cometeu ''crime de abuso de autoridade'' por movimentar um aparato de cerimonial e segurança no deslocamento e utilizar bens do governo federal, ''só para gravar o programa de propaganda política de Vanhoni'', disse o advogado da coligação, Marcelo Kfouri. Segundo o advogado, o abuso de autoridade se configura ''nos custos que o deslocamento representou ao erário público''.
A campanha de Beto leva em conta o fato de Lula ter inaugurado, na tarde de segunda-feira, o prédio do laboratório de análises clínicas em saúde pública, em São José dos Pinhais (PR), ainda por terminar e que só entrará em funcionamento daqui a seis meses.
Lula gravou um depoimento para a campanha de Vanhoni na manhã de terça-feira, em um estúdio improvisado no hotel Bourbon, onde se hospedou, antes de embarcar de volta a Brasília. A estrutura também serviu para gravação em favor do prefeito petista Péricles de Mello, de Ponta Grossa, que tenta a reeleição em segundo turno, enfrentando o tucano Pedro Wosgrau.
Segundo a assessoria jurídica da campanha de Beto, a ação se baseia na lei complementar 6.490, a Lei das Inelegibilidades.
O juiz da 1 Zona Eleitoral de Curitiba, D'Artagnan Serpa Sá, não se manifestou ontem sobre o assunto. A reportagem tentou contato no início da noite com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto e da AGU (Advocacia Geral da União) e recebeu a informação de que só o conhecimento do conteúdo da ação poderia levar a um comentário em defesa do presidente. A assessoria de imprensa de Vanhoni também disse que a área jurídica esperaria a notificação para responder.


