Colcha de retalhos ideológica do PT vem à tona
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domingo, 09 de fevereiro de 2003
Roldão Arruda<br> Agência Estado 
São Paulo - A ascensão do PT ao poder expôs de forma aguda o que é considerado por alguns uma de suas maiores virtudes e para outros, seu calcanhar-de-aquiles: a diversidade de tendências políticas que convivem sob o mesmo teto. A julgar pela tradição interna do partido, a polêmica que nos últimos dias envolveu representantes do governo, líderes petistas e parlamentares da ala de esquerda, sobre os rumos da economia, pode se arrastar por muito tempo. Mas também há quem acredite numa trégua. Uma das condições para isso seria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguir convencer os radicais de que apesar das medidas econômicas neoliberais que vem adotando, mira o socialismo. Mesmo que muito ao longe.
Militantes de organizações de inspiração marxista, dos mais variados matizes, do trotskismo ao maoísmo, estão no PT desde seu nascimento, há 23 anos, ao lado dos movimentos sindicais, das comunidades eclesiais de base (CEBs) e de grupos de intelectuais. Sempre disputaram o comando da organização. Isso faz parte da tradição petista, segundo Walter Pomar, um dos vice-presidentes do partido e integrante da Articulação de Esquerda, uma das várias tendências consideradas radicais. Para Flávio Koutzi, integrante do diretório nacional e membro da Esquerda Democrática, outra tendência radical, a diversidade tem sido fecunda e é uma das causas do sucesso do partido.
Mesmo em situação minoritária e discordando da tendência moderada, esses militantes de esquerda continuam no PT por acreditar que ainda é um partido de massas, com o objetivo estratégico de levar o País ao socialismo. Se não acreditassem, já teriam rachado e criado novos partidos. Outro fator que os mantém na organização é o temor de se distanciarem da massa de eleitores que prestigia o PT. O deputado federal Ivan Valente (SP, da tendência Força Socialista), acha que seria uma insensatez política rachar neste momento.
O exemplo do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) não serve de inspiração para nenhum movimento separatista. Criado logo após a expulsão da Convergência Socialista do interior do PT, porque se recusava a acatar as decisões da maioria, o PSTU é desprovido de qualquer tipo de apelo eleitoral. Na última campanha não elegeu um deputado federal e o seu candidato a presidente, José Maria de Almeida, cuja plataforma política incluía o rompimento com o FMI e o não pagamento das dívidas interna e externa, obteve apenas 0,47% do total dos votos.
Na sexta-feira, ao divulgar uma nota sobre disciplina partidária no interior do PT, seu presidente nacional, José Genoino observou que não está havendo uma crise entre a cúpula e as alas radicais. A crise, segundo o político, é com alguns parlamentares dessas tendências.
De fato, não existem militantes que falem pelo grupo inspiração marxista.
As diferentes tendências que o compõem frequentemente brigam entre si. Isso é visível nas disputas pela direção dos sindicatos, quando concorrem com chapas diferentes. Há grupos dentro dos grupos. Os trotskistas estão subdivididos em mandelistas, lambertistas, posadistas e outros.


