O procurador-geral do Paraná, Joel Coimbra, uma assessora dele, Flávia Cerneiro Pereira, e o ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido), tiveram bens indisponibilizados pela Justiça, a pedido do Ministério Público (MP). O juiz da 3ª Vara Cível de Maringá, Flávio Renato Carneiro de Almeida, acatou pedido de liminar, indisponibilizando dois veículos, um de Coimbra e um de Flávia, e duas propriedades rurais de Gianoto. Eles foram denunciados por improbidade administrativa.
A acusação é de que Flávia Pereira foi contratada irregularmente no período em que Coimbra ocupou uma cadeira de deputado na Assembléia Legislativa, de 1993 a 1996. Na ação oferecida pelo MP, o promotor José Aparecido da Cruz cobra a devolução aos cofres da prefeitura o valor atualizado de de R$ 74.125,95, além de pedir a suspensão dos direitos políticos (dez anos para Coimbra e sua ex-assessora e oito anos para Gianoto), pagamento de multa e impedimento de contratar com o Poder Público dos três réus. A decisão sobre esta parte será após o julgamento do mérito.
O MP começou a investigar a denúncia em fevereiro passado e o promotor disse que conseguiu anexar comprovantes do acúmulo irregular de cargos. Durante o período de 1995 a 1997 Flávia acumulou dois empregos, de assessora de Coimbra na Assembléia Legislativa e de assessora de gabinete na gestão Gianoto. Nos três anos, segundo o MP, ela recebeu R$ 20.127,14 da Assembléia e outros R$ 42.362,63 da prefeitura.
O promotor pede a devolução do valor pago pelo município, que, atualizado, passa dos R$ 74 mil. A Justiça determinou a indisponibilidade de um Corsa ano 99, placas ALL 2247, de Coimbra; um Gol vermelho placas AGV 7540 da ex-assessora e 50% de duas propriedades (com 10 alqueires cada, em Mandaguaçu, na região de Maringá), que pertencem a Gianoto. O juiz determinou a imediata comunicação ao Detran sobre a indisponibilidade dos veículos e aos cartórios sobre as propriedades.
Coimbra ficou irritado com a ação do MP e disse que não conhece o teor da denúncia. Ele criticou o promotor Cruz por não ter sido consultado em nenhum momento até a decisão da Justiça. O MP tomou o depoimento de vários assessores do procurador.
Sobre o teor da denúncia, Coimbra alega ser ‘‘comum’’ a cessão de funcionário público entre os poderes. A Folha tentou ontem falar com Flávia Pereira e com os advogados de Gianoto, mas eles não retornaram as ligações.

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