Se de 28 municípios a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) tem para receber pelo menos R$ 40 milhões em saldo devedor e prestações vencidas, só na cidade o valor da inadimplência salta para R$ 183 milhões - índice 350% superior que a acumulada na região. Sob outro ângulo, o que falta para receber em Londrina é nada menos que nove vezes o que a Prefeitura afirma que terá de tirar do orçamento, a partir deste ano, para arcar com uma dívida renegociada da companhia com a Caixa Econômica Federal (CEF).
O número consta de um levantamento feito pelo próprio presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, a pedido da FOLHA, que ontem divulgou os números da inadimplência de 32 contratos da região, os quais têm mais sete anos até o vencimento. O valor se refere a 3.735 unidades habitacionais construídas, nos últimos 18 anos, por meio de contratos que, antes com construtoras, acabaram transferidos para Cohab na negociação direta com a Caixa.
O próprio assessor de planejamento da companhia, o funcionário de carreira Ronaldo Antunes da Silva, já admitira à reportagem, anteontem, que o valor a receber em Londrina seria bem superior ao dos 28 municípios. Em contraposição, só na gestão interina de José Roque Neto (PTB) o órgão é atualmente um dos que mais gastam, em toda a administração direta, em nomeações de cargos de confiança e conselheiros remunerados - cerca de R$ 70 mil mensais (sem encargos) só com os 26 indicados.
De acordo com Afonseca, os R$ 183 milhões ainda não pagos, em Londrina, se referem a R$ 84 milhões de saldo devedor dos contratos, mais R$ 99 milhões de prestações em atraso - nos 28 municípios em que há os sub-rogados, esses valores são de respectivamente R$ 19,8 milhões e R$ 18,7 milhões, com um percentual de recebimento da ordem de 68,26% dos R$ 194.046 mensais previstos.
''Em janeiro de 2001, estávamos com um percentual de recebimento de 52%, o que dava R$ 588 mil mensais. Hoje, recebemos 51%, ou R$ 537 mil, daquilo que é previsto - são os mais de R$ 180 milhões renegociados (com aval da Câmara de Vereadores) até 2016'', afirmou o presidente da companhia. Indagado se o valor não é alto demais para inadimplência de uma companhia que precisa de seu acionista majoritário - a Prefeitura - para arcar com a maior parte das dívidas, resumiu: ''Qualquer analista vai olhar e avaliar que a inadimplência hoje é muito maior. Mas tivemos, desde 2001, três mil contratos quitados, o que baixa o número de mutuários, e, também, de percentual devido''.
Por outro lado, Afonseca acredita que a Companhia tem etapas a cumprir para reverter a situação. ''Temos que achar a metodologia, ou a política necessária, para que quem deve R$ 500 mensais à Cohab, por exemplo, consiga pagar sua prestação - e não é apenas renegociando a dívida.'' Ele lembra que, além do que é devido, há ainda uma fila de 18 mil pessoas na cidade à espera de moradia - e essa, ao que indicou, parece ser a prioridade. ''A inadimplência é uma outra etapa, pois temos esse cadastro de 18 mil pessoas sem casa; os inadimplentes já têm sua moradia.''

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