A exemplo do que ocorre na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina também mantém funcionários promovidos indevidamente. Dos 57 funcionários da companhia, apenas 11 exercem as funções para as quais prestaram concurso. As promoções são alvo de um procedimento de investigação instaurado em 19 de janeiro pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público após denúncia de um funcionário.
De acordo com resposta encaminhada pela Cohab ao Ministério Público (MP), as promoções foram realizadas por um plano de cargos, carreiras e salários (PCCS) aprovado em 1996, quando era prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PMDB, mas, à época, filiado ao PT).
Das 46 promoções sem concurso público, 13 eram a funcionários concursados para cargos de nível médio função de nível superior. Há casos de auxiliares de cobrança e de escritório que passaram a ocupar cargos de administradores, contadores, advogados e economistas, por exemplo. Outros dez servidores concursados para cargos de nível fundamental (auxiliar de escritório, fiscal de obras, vigilante, digitador) passaram a ocupar funções de nível médio, especialmente o cargo de assistente administrativo. E outros 23 funcionários não mudaram de nível, mas seus cargos foram alterados pelo PCCS.
Há, na lista encaminhada pela Cohab, pelo menos dois casos de funcionários que não foram contemplados pelo PCCS, mas entraram com processo administrativo e obtiveram promoções de cargos de nível médio para superior. Outras três promoções foram definidas em uma reunião de um Conselho da Cohab, não especificado na resposta da companhia; e não foi explicada a motivação para dois casos de promoção de servidores.
Entre os funcionários contratados para a função que hoje desempenham estão dois assistentes sociais, dois arquitetos, dois advogados, quatro engenheiros e uma copeira. A promotora Leila Voltarelli disse que irá analisar as informações da Cohab para tomar eventuais medidas.
O presidente da Cohab, Marcelo Cortez, assegurou que as promoções não foram feitas neste governo e que a companhia irá prestar todas as informações necessárias ao MP. ''Não gostaria de me manifestar sobre isso. Não vamos criar um clima de instabilidade na companhia'', afirmou. ''São situações de 15, 20 anos atrás e posso garantir que não fizemos nenhuma promoção indevida neste governo.''

CMTU
Na CMTU, a Justiça do Trabalho, após ação do Ministério Público do Trabalho (MPT), determinou o rebaixamento dos funcionários promovidos sem concurso público, por meio de PCCS. O entendimento contrário às promoções se baseia em súmula do Supremo Tribunal Federal que considera ''inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido''. A CMTU recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho e, recentemente, fez proposta ao MPT para evitar rebaixar os servidores.

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