O presidente da Companhia Habitacional (Cohab) de Londrina, José Roberto Hoffmann, decidiu ontem suspender o leilão de três áreas localizadas na zona oeste da cidade, previsto para a próxima terça-feira, depois de descobrir que a lei que passou os terrenos para a empresa de economia mista atrelou-os à construção de moradias populares. Convocado por vereadores na tarde de ontem para explicar o motivo da venda, Hoffmann disse desconhecer o dispositivo legal, sancionado em 2008.
Os três imóveis, localizados entre o Parque Universidade e o Golden Hill, têm mais de 82,9 mil metros quadrados. O valor inicial pedido pelos três terrenos soma mais de R$ 7 milhões. A avaliação foi feita em abril de 2013 pela Comissão de Avaliação de Bens do município. Apesar de a data ser anterior à nova Lei de Zoneamento, Hoffmann garante que os preços foram definidos com base nos valores de mercado e atualizados pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Mesmo assim, uma nova avaliação deve ser feita agora.
A preocupação com a venda foi levantada por Lenir de Assis (PT) e Tio Douglas (PTB). Segundo a vereadora, a preocupação é que, mesmo com terrenos voltados para a construção de unidades habitacionais voltadas para a faixa de renda entre 0 e 3 salários mínimos, a Cohab prefere vendê-los e essas casas acabam levantadas em locais longe do centro.
Segundo Hoffmann, a venda é necessária para regularizar o caixa da Cohab, que tem apresentado deficit de R$ 200 mil mensais devido à quitação das áreas do Conjunto José Belinati, na zona norte. Além disso, como os terrenos têm mais de 20 mil metros quadrados, no momento do loteamento, 25% dessas áreas voltarão para o município em forma de arruamento e outros 7%, para áreas verdes e equipamentos públicos, como unidades de saúde e de educação.
De acordo com ele, os valores da venda dos terrenos abateria cerca de R$ 6 milhões que a Cohab deve pela desapropriação das áreas para construção do Conjunto José Belinati, que consome, por mês, os R$ 200 mil de deficit. Ainda segundo ele, há uma área de 45 mil metros quadrados naquela região da zona norte que serão utilizadas para casas populares, depois que a situação for regularizada.

MAIS PENDÊNCIAS

Uma dúvida levantada pela vereadora Sandra Graça (SD) pode dificultar mais o leilão pleiteado por Hoffmann. De acordo com ela, dois dos três terrenos são afetados como áreas verdes. A Lei Orgânica do Município (LOM) impede a venda ou doação de praças e também veda desafetação para outros fins que não sejam equipamentos de saúde, educação e segurança.

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