Cohab pagava R$ 1.128 a esposa de vereador
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terça-feira, 06 de maio de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Vencimentos de R$ 1.128,01 - quase três salários mínimos - para participar de ''uma a duas reuniões por mês''. Até mês passado, era esse o rendimento da esposa do presidente da Câmara Municipal de Londrina, vereador Sidney de Souza (PTB), como integrante do Conselho Fiscal da Companhia de Habitação da cidade (Cohab-LD), órgão da administração indireta na qual ela também ocupou o posto de conselheira de administração. Nesse caso, a remuneração é idêntica, só não é mensal: vale por reunião realizada; em média, duas a cada 30 dias. Este não é o primeiro caso de parente de vereador empregado no Poder Executivo: semana passada, a FOLHA publicou que, só no conselho de administração da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), os filhos de Osvaldo Bergamin (PMDB) e Renato Lemes (PRB) e um tio de Flávio Vedoato (PSC) recebem, cada, cerca de R$ 780 mensais.
Ontem à noite, Sidney de Souza sustentou que a esposa, Genane Aparecida Ribeiro de Souza, formada em Ciências Contábeis e Pedagogia, teria pedido exoneração da Cohab ''faz tempo''. ''O convite partiu do (prefeito) Nedson (Micheleti, PT), ela estudou com o (deputado federal) André Vargas (PT) no Colégio Polivalente. Ela foi para fiscalizar os atos da Cohab, pois é contadora, mas como começou a ficar muito atribulada de serviço, achou que não valia a pena e pediu para sair'', disse. Quando? ''Faz tempo'', resumiu, para citar, em seguida, o mês de dezembro do ano passado.
Apesar das declarações de Souza, o balanço patrimonial da Cohab-Ld, publicado na imprensa no último dia 11, tem parecer pela aprovação das demonstrações do exercício financeiro encerrado em 31 de dezembro de 2007 assinado pela esposa do parlamentar e outros dois membros do Conselho Fiscal, João Scaff e Junior Cesar de Almeida. O próprio ex-presidente da Cohab-Ld Carlos Eduardo Afonseca admitiu à reportagem que, até ele se desincompatibilizar do cargo em 31 de março para concorrer à eleição, Genane estava no conselho.
''Ela até entrou com solicitação para se desvincular do posto, mas foi agora, recente - deve ter sido na primeira quinzena de abril, pois, de fato, assinou os balancetes comigo'', afirmou. Questionado sobre o tempo que Genane teria permanecido no Conselho Fiscal, Afonseca avaliou que teria sido ''cerca de um ano. Mais dois, ou três meses no Conselho de Administração'', lembrou. Ao todo, cada conselho leva três membros efetivos cada - mais três suplentes não remuerados.
Em março, a Promotoria de Defesa do Patrimônio expediu à Prefeitura de Londrina recomendação administrativa vedando que cargos em comissão ou de natureza semelhante não fossem providos por parentes em até terceiro grau tanto de prefeito como de vice, secretários ou vereadores - o que caracterizaria nepotismo. Por meio da assessoria, contudo, o prefeito defende que conselheiros não se encaixam no perfil de comissionados: seriam ''funções, não cargos''. Ontem, a assessoria disse desconhecer o caso de Genane.


