Cohab-Ld tem mais de R$ 40 mi para receber de municípios
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quarta-feira, 04 de março de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) tem um acumulado de mais de R$ 38,5 milhões entre prestações atrasadas e saldo devedor de 32 contratos sub-rogados referentes a 3.735 unidades habitacionais construídas, nos últimos 18 anos, em 28 municípios da região. O valor é mais de 50% maior que os R$ 20 milhões de dívidas da companhia com a Caixa Econômica Federal (CEF), as quais, renegociadas na última gestão, terão de ser pagas pela Prefeitura, credora do débito, a partir deste ano.
Os contratos sub-rogados são aqueles não realizados diretamente entre Caixa e Cohab, ou seja, tinham uma construtora interveniente, a princípio, mas acabaram transferidos para a companhia. Segundo o assessor de planejamento da Cohab, o funcionário de carreira Ronaldo Antunes da Silva, esse tipo de negociação ocorreu no início da década de 90, da passagem da segunda administração de Antonio Belinati (PP) para a gestão de Luiz Eduardo Cheida (então PT e hoje PMDB). À época, a negociação com as construtoras fora feita diretamente pela Ação Social do governo Fernando Collor de Mello. ''Nós recebemos esses créditos para administrar; e a gestão é complicada.''
Os dados, aos quais a FOLHA teve acesso, foram informados à Câmara à vereadora Sandra Graça (PP), que não chegou a requerê-los via pedido de informações. Na avaliação da parlamentar, ''falta trabalhar com esses municípios e renegociar esses valores; algo tem de ser feito, ou, no mínimo, tem que haver mais eficácia na cobrança desse débito'', criticou. A vereadora ainda fez uma comparação: os 26 comissionados e conselheiros remunerados que a companhia informou ter nomeado na gestão interina, a um custo aproximado de R$ 70 mil mensais (sem encargos), equivalem, por exemplo, a quase 50% da receita mensal de pouco mais de R$ 132 mil que os sub-rogados rendem, todo mês, à Cohab - 68,26% dos R$ 194.046 previstos. No cômputo final, só de prestações atrasadas dessas 3.735 unidades são mais de R$ 18,7 milhões; o saldo devedor, por outro lado, ultrapassa os R$ 19,8 milhões.
Para o assessor de planejamento, que é economista e está na companhia desde 1991, o valor assusta, mas não é o principal. ''A inadimplência dos subrogados em Londrina é bem superior a essa das outras cidades'', disse, sem citar os valores locais.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, minimizou os quase R$ 40 milhões a serem recebidos, segundo ele, de contratos que têm ainda mais sete anos até o vencimento. Se dá tempo de receber a monta nesse tempo? ''Temos uma adimplência muito boa desses contratos; além do mais, em julho de 2001, quando o saldo devedor era de R$ 59 milhões, conseguimos um desconto de R$ 29 milhões com a Caixa e, desde então, o valor vem, sim, sendo reduzido.'' Indagado sobre quanto há por receber de parcelas em atraso e saldo devedor em Londrina, Afonseca disse não ter os dados em mãos, já que estaria em reunião de conselho. ''Vou levantar esses números'', garantiu.
Da lista informada à vereadora do PP, o maior saldo devedor (R$ 2.309.860,78) é de um conjunto habitacional de 425 moradias em Arapongas. Nesse caso, há pouco mais de R$ 209 mil de prestações em atraso - 92,17 do total, contudo, está quitado. Situação contrastante é a de um conjunto de 49 unidades em Santa Bárbara, onde, a despeito de umsaldo devedor de R$ 199,26, estão acumulados já mais de R$ 2,2 milhões de parcelas atrasadas.


