Representantes do Conselho Municipal de Habitação de Londrina pretendem articular uma reunião extraordinária para cobrar explicações da diretoria da Cohab sobre o projeto-piloto desenvolvido pela construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu, no conjunto Ilda Mandarino, zona norte. O projeto é um dos alvos da Comissão Especial de Inquérito da Câmara de Vereadores que irá investigar denúncias de irregularidades administrativas na Cohab. Os conselheiros só ficaram sabendo da execução do projeto através da imprensa e se dizem perplexos.
‘‘Estou me sentindo uma mulher traída’’, ironizou José Carlos Salgueiro, representante do Sinduscom. Ele diz que na administração passada o Conselho se reunia mensalmente, mas desde o início do ano, a presidência da Companhia não convocou nenhuma reunião com os representantes. O Conselho é formado por nove pessoas - 3 do poder público, 3 dos trabalhadores e 3 das empresas. Seu objetivo é definir as diretrizes da política de habitação no município
O representante dos trabalhadores no Conselho, Denilson Pestana, disse ontem que a Cohab deveria pedir a aprovação da entidade para o projeto, mesmo tratando-se de uma experiência piloto. ‘‘Eu tive uma reunião com o presidente da Cohab, José Caetano Perri e coloquei o desejo do Conselho de ser parceiro da Companhia e ele prometeu dar continuidade ao trabalho que estava sendo desenvolvido, mas não falou nada do projeto’’, lembra Pestana. Segundo ele, Perri disse na ocasião que nem sabia da existência do Conselho.
‘‘Parece mesmo que a gente não existe’’, confirma o representante do Secovi (Sindicato das Empresas de Imóveis), Antônio Nilson Saconatto. Ele disse que o Conselho não foi chamado nem para a posse da nova diretoria da Cohab. O representante da Federação das Favelas e Assentamentos de Londrina, José Ricardo da Silva, disse que ‘‘desse jeito o conselho vai morrer’’. O mandato dos representantes vai até o ano que vem. Eles são indicados por suas entidades e não recebem nada pelo trabalho.
Na reunião extraordinária que os conselheiros pretendem realizar, Denilson Pestana disse que deve ser tirada uma posição oficial. ‘‘Queremos colaborar com a CEI’’, disse ele.

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