Cohab emprega parente de secretário
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
Mesmo com uma dívida renegociada que hoje, sem os juros, ultrapassa os R$ 200 milhões e que vai retirar, já a partir deste ano, cerca de R$ 20 milhões do orçamento do Município , a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) tem se mostrado um importante celeiro de apadrinhados ligados a nomes da coalizão que apoiou a eleição de José Roque Neto (PTB) para a Presidência da Câmara. Um desses cargos é o da assessora da Presidência Eurides Lucilene Dorigo, atualmente coordenadora do Centro Esportivo do Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), órgão administrado pela companhia. Formada em Educação Física, Lucilene é sobrinha do secretário Municipal de Governo, Tercílio Turini, com o qual já trabalhou na Câmara, em legislaturas passadas, na função de assessora de gabinete.
A nomeação de parentes de até terceiro grau é vedada pela Lei Orgânica do Município (LOM). O documento estabelece, em seu artigo 59, que nas funções de confiança na administração pública ficam proibidos atos de nomeação de cônjuge ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau, respectivamente, do Prefeito, do Vice-Prefeito, dos Secretários Municipais e dos Vereadores.
De acordo com o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, a indicação da sobrinha de Tercílio teria partido de um outro comissionado da Cohab, Ricardo Muniz, que tinha um envolvimento com ela. São amigos, ele falou comigo, e, como vi que ela é professora de Educação Física e interessada em trabalhar, a aceitei para o posto. O Centro Esportivo, atualmente em fase de recadastramento de associados, está com as atividades recreativas suspensas desde o fim da última administração.
Indagado sobre o parentesco da assessora com funcionário de alto escalão, Afonseca resumiu: Não tem nada a ver se ele (Turini) estivesse no comando da Cohab, até acho que teria problema, mas a Prefeitura é uma empresa na qual o comando é do prefeito. Mas vou dar uma olhada nisso, disse. O presidente da Companhia informou que, entre diretores e comissionados, foram feitas no órgão pelo menos 16 nomeações de cargos de confiança. Ele não soube precisar o salário da coordenadora o qual, apurou a FOLHA na Prefeitura, é de cerca de R$ 1,5 mil mensais , tampouco o de Muniz, que a teria indicado e que trabalhou na campanha de Afonseca, ano passado, para o Legislativo. Outro assessor nomeado para o mesmo Centro Esportivo, mas para o setor administrativo, e que seria dono de uma gráfica, também não teve o salário confirmado. Só sei que é o Alécio, respondeu o presidente.
Nos conselhos e nas diretorias da Cohab, a coalizão, além do PT, teve nomes também do PMDB e do PTB, como o diretor administrativo-financeiro Carlos Eduardo Santa Rosa (PMBD) que não atendeu ontem as ligações para confirmar nomeações e salários e o assessor técnico Claudemir de Souza, do PTB, ex-assessor do ex-vereador Sidney de Souza. O próprio Muniz, além de ter atuado na campanha de Afosneca, já fora, em 2005, indicação do também ex-vereador Flávio Vedoato (PSC), não reeleito.
Questionado sobre a nomeação da sobrinha, o secretário de Governo admitiu que não há um controle das nomeações nos órgãos da administração indireta. Sabemos que cerca de 50 comissionados foram nomeados na administração direta, mas, nas companhias, na maior parte das vezes, as indicações são feitas em conjunto com os partidos da coalizão tanto que a CMTU tem dominío maior do PTB; Obras e Ippul do PSDB; Cohab mais do PT... isso não passa pelo prefeito, pois os órgãos têm conselhos. A respeito da sobrinha, Turini afirmou que ela seria contratada pelo gabinete de Paulo Arildo
(PSDB), mas, diante do convite da Cohab, conversou comigo e se decidiu. Eu, mesmo, indiquei apenas duas assessoras para a Secretaria, que vieram comigo da Câmara, eximiu-se. Se ele teme que a nomeação possa ser relacionada a ato de nepotismo? Lógico que pode ter essa conotação, mas não posso impedir que ela queira trabalhar. E não fui eu que a nomeei.


