Cohab deve mais do que tem, diz Nedson
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
A dívida da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina com a Caixa Econômica Federal, de R$ 330 milhões, é maior do que o patrimônio da empresa, calculado em R$ 280 milhões. A informação foi dada ontem pelo prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), por meio da assessoria de imprensa. Nedson e o diretor-presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, estiveram ontem em Brasília negociando a dívida com o superintendente nacional do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), Joaquim Lima.
Dos R$ 330 milhões, cerca de R$ 50 milhões referem-se a dívida vencida. Mas a Caixa está executando na Justiça o valor total. Segundo Nedson, a prefeitura apresentou algumas propostas de negociação e a Caixa se comprometeu em dar uma resposta na próxima segunda-feira. A situação da Cohab é gravíssima e atinge diretamente as finanças do município, destacou o prefeito. Além de Afonseca e Silva, acompanharam Nedson em Brasília o diretor da Cohab Ronaldo Antunes da Silva e o consultor da Associação Brasileira de Cohabs, André de Souza.
As propostas apresentadas à Caixa pela administração de Londrina compõem uma série de medidas, incluindo o esforço feito pela atual diretoria da Cohab em diminuir custos e melhorar o sistema de arrecadação. Somente esta semana, por exemplo, foram dispensados seis funcionários da companhia que prestam serviços em outras empresas do município. O número de comissionados também diminuiu de 14 para apenas cinco.
A Cohab também quer devolver à Caixa os 32 contratos sub-rogados de 28 municípios da região. A companhia assumiu esses contrados de 90 a 92 e o índice de inadimplência hoje chega a 90%. O valor da dívida vencida dos sub-rogados é de R$ 9,5 milhões, mais R$ 49 milhões a vencer. Outra proposta apresentada foi usar um crédito que a Cohab teria junto à Caixa, de R$ 105 milhões (que pode chegar a R$ 120 milhões), em títulos do Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS), para abater na dívida.
O prefeito destacou que a solução da dívida é importante porque pode liberar o município a receber a sua parte do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Hoje, os cerca de R$ 700 mil mensais que deveriam entrar nos cofres da prefeitura acaba retido para abater na dívida. Somente com esse valor daria para pagar a folha da frente de trabalho, destacou o prefeito anteontem à Folha.
De Brasília, Nedson embarcou ainda ontem para Curitiba, onde comparece, às 15 horas de hoje, à posse dos novos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TC). À noite, ele retorna para Londrina.


