A Cohab de Londrina deixou de pagar o refinanciamento de uma dívida com a Caixa Econômica Federal (CEF) desde julho de 2004. A dívida de R$ 215 milhões herdada pela administração de Nedson Micheleti (PT), em 2001 deveria ser paga em parcelas mensais de cerca de R$ 650 mil. Os 15 meses de inadimplência da Cohab já totalizam quase R$ 10 milhões.
''Temos dois motivos para ela (inadimplência). Um dos motivos é justamente a entrada do período eleitoral. Tínhamos candidatos que falavam em não pagamento do IPTU, da parcela da Cohab e isso reduziu bastante o caixa da Cohab'', argumentou o presidente da companhia, Carlos Eduardo Afonseca e Silva. Segundo Silva, a queda na arrecadação da Cohab no período eleitoral foi em torno de 15% a 20%. ''Outro motivo (para a inadimplência junto a CEF) foram as obras que tínhamos em andamento e que tínhamos que fazer as contrapartidas. Não tínhamos como parar essas obras. Mais um ainda é que estávamos nesse processo de negociação junto aos ministérios e junto ao Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para aprovação da medida resolução 479'', argumentou Silva.
A aprovação da medida pelo conselho do FGTS gerou o projeto de lei protocolado pelo Executivo na Câmara de Vereadores no último dia 1º, que garante autonomia à Cohab para negociar diretamente com seus mutuários, regularizar assentamentos urbanos e flexibilizar o pagamento de suas próprias dívidas com a CEF. O projeto ainda prevê que a dívida da Cohab com a Caixa tenha o prazo de pagamento ampliado de 12 para 21 anos.
Para Silva, o não pagamento da dívida nos últimos 15 meses não representará prejuízo aos cofres municipais. ''Não entendo como prejuízo para o município. Se caso for aprovada a lei, teremos uma baixa na taxa de juros desses financiamentos que hoje são de 4,9% para 3.08%. Só aí já mata todas as possibilidades de perda de recursos'', calculou. Ele não soube dizer o percentual de juros acumulados resultantes da inadimplência.
O presidente da Cohab ainda negou que a dívida possa comprometer a capacidade de endividamento do município. ''99,99% do capital da Cohab é da prefeitura e em todos os empréstimos que a prefeitura fez até hoje o Banco Central sempre computou a dívida como sendo da prefeitura. Caso for aprovado esse projeto de lei, aumenta a capacidade de busca de recursos, alongando o prazo e reduzindo a taxa de juros.''
O equacionamento das dívidas do município foi insistentemente defendido pelos petistas durante a campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT). Perguntado se a inadimplência da Cohab, registrada desde julho de 2004, não contraria um dos principais pontos da campanha, Silva foi taxativo: ''Quando pegamos a Cohab, ela era a única do país executada pela Caixa Econômica por uma dívida ativa e vincenda de mais de R$ 300 milhões. Em um momento eleitoral, falando em R$ 1 milhão, R$ 1,2 milhão, a empresa está equacionada''.

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