Brasília - Um dia após afirmar que pouparia os deputados Sandro Mabel (PL-GO) e Pedro Henry (PP-MT) em seu parecer sobre o envolvimento de parlamentares no esquema do ‘‘mensalão’’, o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), recuou e decidiu incluí-los entre os casos passíveis de cassação de mandato, mesmo tendo afirmado que não há evidências contra eles. ‘‘Eu preferi uniformizar, não tem sicrano nem fulano, vai todo mundo para o Conselho de Ética. Em relação a eles a prova é muito frágil, só tem o [deputado] Roberto Jefferson [PTB-RJ] falando, mas e se ele está falando a verdade? Se eu separá-los vou estar fazendo um juízo de valor’’, disse Serraglio, que apresenta o relatório parcial hoje com o nome de 18 parlamentares que teriam quebrado o decoro parlamentar.
  O temor do deputado era que ao amenizar o caso dos dois sua atitude fosse interpretada como uma espécie de ‘‘acordão’’ pela opinião pública para poupá-los. A decisão também aumentaria a pressão dos demais deputados citados no documento para serem colocados na mesma classificação. Serraglio afirmou anteontem que não tem provas de que Henry e Mabel foram beneficiados com saques das contas do publicitário Marcos Valério de Souza. Ele foi suscetível, no entanto, à crítica de que estaria ‘‘flexibilizando a ética’’.
  ‘‘Temos evidências de que alguns estão muito comprometidos e outros não. O Sandro Mabel está nesse limiar, embora o Roberto Jefferson tenha feito acusações contra ele. O Pedro Henry é da mesma forma’’, havia dito ele.
  Serraglio apresenta hoje, em sessão conjunta das CPIs dos Correios e do Mensalão, um relatório parcial indicando 18 deputados que teriam quebrado o decoro parlamentar. O documento também será assinado pelo relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG).
  ‘‘Todos eles de alguma forma quebraram o decoro e aí o Conselho de Ética vai avaliar se as provas são suficientes ou não’’, disse Serraglio. Se o relatório for aprovado pelo plenário das CPIs será encaminhado para o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE).
  A proposta de um relatório conjunto foi feita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como forma de tentar encerrar a disputa entre as duas comissões, o que ameaçava prejudicar as investigações. Os integrantes da CPI do Mensalão acusavam os dos Correios de estarem invadindo a competência deles.
  O parecer de hoje deve começar com considerações sobre a atual crise política, os critérios de nomeação para cargos de confiança no atual governo e o ‘‘mensalão’’. Serraglio também deve fazer uma exposição jurídica para justificar que a prática do caixa dois seria quebra de decoro parlamentar. Cada um dos 18 deputados citados deve ter um capítulo onde devem ser listadas os fatos contra eles.
  Os 18 citados são: José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Carlos Rodrigues (PL-RJ), João Magno (PT-MG), João Paulo Cunha (PT-SP), José Borba (PMDB-PR), José Janene (PP-PE), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Romeu Queiroz (PTB-MG), Vadão Gomes (PP-SP), Wanderval Santos (PL-SP) e Sandro Mabel (PL-GO).

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