Cobrança de inativo deve ficar para 2000
Liege Albuquerque
Agência Estado
De Brasília
Mesmo havendo convocação extraordinária do Congresso em janeiro, as Propostas de Emenda Constitucionais (PECs) que determinam subtetos salariais e a que promove a cobrança dos servidores inativos da União e dos militares só devem ser sancionadas até março do próximo ano. A avaliação foi feita pela assessoria da secretaria da Mesa da Câmara, com o aval do líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
No caso da PEC de cobrança previdenciária dos servidores inativos da União e dos militares, sendo sancionada em março, poderá começar a ser cobrada em julho já que a Constituição determina uma carência de 90 dias para começar a cobrança de qualquer nova contribuição. Já os subtetos salariais, após a sanção da emenda, deverão ser determinados por meio da criação de leis nos âmbitos federal, estadual e municipal.
Pelo menos até o primeiro turno devemos conseguir aprovar ainda este ano, acredita Madeira. Para o líder do governo na Câmara, existe grande probabilidade de o Executivo enviar pedido de convocação extraordinária para o Congresso durante o mês de janeiro. Segundo o deputado, além das PECs, há ainda projetos de interesse do governo que precisam ser acelerados durante essa convocação extraordinária. Matéria é o que não falta: reforma tributária, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a reforma do Judiciário, afirmou.
Pelos cálculos da assessoria da Mesa, até o dia 16 de dezembro, quando termina o ano legislativo, há tempo hábil para que as duas PECs sejam aprovadas em 1º turno na Câmara, mas não para o segundo turno em diante. As duas emendas chegaram na sexta-feira na Câmara e seguiram para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Hoje deverão ser escolhidos os relatores.
Depois da aprovação na CCJ, que pode ser em uma semana, as emendas seguem para comissões especiais. O prazo normal de tramitação de uma PEC em uma comissão especial é de 40 sessões da Câmara.
Em uma tramitação ágil, o relatório pode ser votado dois dias depois da apresentação. Daí a emenda passaria para os dois turnos na Câmara no mínimo duas semanas e depois para outros dois turnos no Senado (mais um mês, pelo menos) para só então seguirem para a sanção presidencial.
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) criticaram ontem em Maceió, durante o encontro nacional de procuradores de Estado, o projeto de emenda constitucional do governo. O presidente precisa mostrar uma política econômica, que combata a recessão e o desemprego, caso contrário sua popularidade vai continuar caindo, afirmou Temer, lamentando que os governadores tenham se comprometido com a cobrança previdenciária dos servidores inativos.
Já Calheiros criticou a avalanche de emendas propostas pelo governo, alertando que isso coloca em risco a democracia do País. Não podemos cair na mesma situação do Peru, com Alberto Fujimori, ou da Colômbia, por Hugo Chavez, afirmou o senador alagoano.Mesmo com convocação extraordinária em janeiro, emendas terão de ser sancionadas, cumprindo prazos preestabelecidos
José Cruz/Agência BrasilCRONOGRAMALíder Arnaldo Madeira abraça ACM: Pelo menos até o primeiro turno devemos aprovar este ano





