CNJ prorroga investigação sobre Clayton Camargo
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local 
Curitiba - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) prorrogou anteontem, por mais 90 dias, o processo administrativo disciplinar contra o ex-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná Clayton Coutinho de Camargo. O desembargador é investigado por evolução patrimonial incompatível com as funções de magistrado, em ação que corre sob segredo de Justiça. O pedido foi feito pelo relator do caso, Paulo Teixeira, e também inclui a manutenção do afastamento de Camargo de suas funções.
O caso foi aberto em outubro de 2013, a partir de um relatório feito pelo então corregedor nacional de Justiça, Francisco Falcão. Segundo a assessoria de imprensa do CNJ, Teixeira levou a questão de ordem ao plenário pelo fato de não ter conseguido finalizar a investigação no prazo regulamentar, isto é, de 140 dias. Esse foi o segundo adiamento proposto pelo relator o primeiro ocorreu em agosto -, sendo que não há um limite de prorrogações.
Com isso, o magistrado continua recebendo a remuneração integral, de R$ 26,5 mil, até a conclusão da análise, entretanto, segue impedido de utilizar seu local de trabalho, bem como de usufruir das prerrogativas do cargo. Entre as questões investigadas pelo Conselho estão denúncias de vendas de sentença, corrupção passiva, crimes tributários e lavagem de dinheiro.
O CNJ confirmou, por outro lado, o arquivamento sumário de outro processo envolvendo o desembargador, relativo ao suposto tráfico de influência na eleição de seu filho, o ex-deputado estadual Fabio Camargo, ao posto de conselheiro do Tribunal de Contas (TC), em processo conduzido pela Assembleia Legislativa (AL). A decisão foi tomada no dia 20 de outubro, pela corregedora nacional de Justiça, Nancy Andrighi. "Diante da ausência de elementos aptos a viabilizar a compreensão das alegações deduzidas pelo requerente, não é possível a apreciação deste pedido de providências", escreveu a ministra.
Procurado pela FOLHA, o advogado Cesar Franceschi, que representa Clayton Camargo, disse que, a pedido de seu cliente, não comentaria nenhuma das decisões. "A orientação dele é para que a gente não faça qualquer consideração, porque corre em sigilo. A postura é não noticiar absolutamente nada. Nos manifestamos apenas nos autos, acompanhando os procedimentos". Já o advogado de Fabio Camargo, Igor Tamasauskas, lembrou que o ex-parlamentar não é parte do procedimento em questão. No entanto, frisou que o arquivamento mostra a inexistência de vício no processo de escolha dele. "Isso vai ser provado na Justiça".


