São Paulo - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, enviou uma carta aos deputados para voltar a dizer que é contra a recriação da CPMF. ''A maioria dos brasileiros acredita que o governo já arrecada o suficiente, não necessitando aumentar a tributação para melhorar os serviços públicos'', diz Andrade.
Junto da carta, ele enviou uma pesquisa encomendada pela entidade mostrando que a maioria da população é contra a volta da CPMF. Segundo o Ibope, o levantamento, feito em março, com 2.002 entrevistados, mostrou que 72% dos pesquisados são contra ao imposto.
''A população brasileira não só é contra a recriação da CPMF como é contra a criação ou aumento de qualquer imposto'', diz o presidente da CNI. A pesquisa também afirma que 67% dos entrevistados entendem que a situação da saúde deve-se mais à má utilização dos recursos do que a falta deles.
O debate sobre a volta da CPMF, que foi extinta em 2007, acontece porque no Congresso se discute o projeto que regulamenta a emenda 29, que definiu percentuais mínimos para gastos com saúde pública. Na próxima quarta-feira, a questão deve ser votada pelo plenário da Câmara dos Deputados.
A presidente Dilma Rousseff declarou recentemente que sem novos recursos para o setor não será possível regulamentar a emenda. O Palácio do Planalto também tem emitido sinais de que será preciso um novo imposto para financiar a saúde. Aliado do governo federal, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), já disse inclusive que uma nova versão do imposto do cheque seria uma ''taxa de solidariedade'', que incidiria mais sobre ricos do que sobre pobres.
Emenda 29
O projeto de lei que regulamenta os gastos com saúde pública no País, deve ser votado na próxima quarta-feira, no plenário da Câmara dos Deputados. O acordo para votar a Emenda 29, que define quais ações governamentais podem ser classificadas como gastos em saúde, foi fechado na última quinta-feira entre os líderes partidários. ''Foi um acerto do Marco Maia (presidente da Câmara) marcar a votação da Emenda 29'', disse na quinta-feira o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
O acordo também prevê a análise, na mesma data, da criação da chamada Comissão da Verdade, cujo objetivo é apurar crimes contra os direitos humanos entre 1946 e 1988. O petista, no entanto, diz não acreditar em unanimidade pela apreciação da Comissão da Verdade. ''Será um acordo com 480 somente. Não conseguiremos juntar todos os deputados'', calculou.

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