O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, criticou ontem a posição da equipe econômica em relação à reforma tributária e disse que os empresários vão insistir no assunto com o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Vamos estar na semana que vem com o presidente’’, afirmou. Segundo Moreira Ferreira, a equipe econômica quer uma reforma que permita a continuidade dos ‘‘recordes de arrecadação’’.
Ontem, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que o governo não quer um texto constitucional detalhado sobre reforma tributária e citou como exemplo a inclusão da ‘‘não-cumulatividade’’ (fim da cobrança de imposto sobre imposto) das contribuições sociais na emenda.
O presidente da CNI defendeu o detalhamento do texto. ‘‘O governo é sempre muito instável na questão tributária: aumenta alíquota, cria compulsório. É melhor que o texto proíba mudanças’’, disse. Moreira Ferreira contou que o presidente da Câmara, Michel Temer, garantiu-lhe que a votação da reforma começará em agosto. Na quarta, Temer disse que não queria ser um D. Quixote, defendendo a votação de um texto que o governo não quer.
Para o presidente da CNI, o governo e os parlamentares conseguiram entrar em acordo sobre muitos pontos da reforma. ‘‘Só sobrou a cumulatividade. Se o governo tiver vontade política, isso será resolvido’’, disse.

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