Curitiba - O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, anunciou ontem uma mudança no procedimento em relação aos motoristas que estão com a carteira nacional de habilitação (CNH) suspensa, mas não entregaram o documento. Os condutores que forem notificados da suspensão e não entregarem a carteira em 48 horas poderão ser presos por desobediência. ''Não acatar a ordem legal de um funcionário público é crime previsto na lei com detenção de 15 dias a seis meses'', explicou Delazari.
A medida - anunciada três dias após a FOLHA divulgar levantamento que apontou que dos 54 deputados estaduais, cinco estão com a carteira suspensa e outros 17 possuem notificação de suspensão - , explicou o secretário, tem o objetivo de reduzir o número de pessoas que ignoram a notificação do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná. ''As pessoas apostam na prescrição da penalidade, o que acontece em cinco anos'', disse.
A partir de agora quem já tem uma notificação de suspensão ou receber uma deverá apresentar o documento em um Detran em até 48 horas, cumprir a suspensão e frequentar um curso de reciclagem de 30 horas. Caso a carteira não seja entregue, o nome do infrator será encaminhado à Polícia Militar. Ao ser abordado pelos policiais, o condutor deve entregar a carteira.
Segundo Delazari, a partir da publicação da resolução - o que deve acontecer nesta quinta-feira - todos os motoristas que estão com a carteira de habilitação suspensa estão sujeitos à apreensão do documento. ''Criamos um grupo privado da Polícia Militar que irá realizar diligências para localizar esses motoristas'', anunciou.
Caso o condutor se recuse a entregar o documento aos policiais, ele poderá ser preso em flagrante e conduzido à Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran). O secretário disse que a medida foi tomada depois que o ''o problema das pessoas que não entregam a carteira'' veio à tona no Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), órgão do qual Delazari é presidente.
A medida atinge cerca de 69 mil condutores que estão com a carteira suspensa no Estado, entre eles dois deputados, Caíto Quintana (PMDB) e Fernando Ribas Carli Filho (PSB) e dois ex-deputados Geraldo Cartário (PDT) e Carlos Simões (PR). Outros dois parlamentares, Péricles de Melo (PT) e Marcelo Rangel (PPS) entregaram o documento após a reportagem da FOLHA que revelou a situação irregular das carteiras dos deputados paranaenses.
Um terceiro deputado, Plauto Miró (DEM), tio do deputado Carli Filho, entregou a carteira depois do acidente que envolveu seu sobrinho e matou dois jovens no último dia 7 de maio. Durante entrevista à imprensa, Delazari destacou que a nova medida deverá ser aplicada a pessoas comuns e autoridades.

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