Indaiatuba - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem, no encerramento de sua 45 Assembléia Geral, em Indaiatuba (SP), documento no qual aponta a existência de uma ''crise ética'' no Congresso e manifesta preocupação com ''fortes indícios de corrupção'' no Judiciário.
Tradicionalmente divulgado ao final do encontro da entidade, o documento sobre o quadro político do país reafirma ainda a posição contrária dos bispos à legalização do aborto e ao uso de embriões humanos para fins terapêuticos e, indiretamente, à eutanásia.
O aborto tem sido alvo de polêmica entre o governo federal, que quer tratar a questão como tema de saúde pública, e a Igreja Católica, que não abre mão de sua posição. ''É preciso defender a vida desde a aurora da concepção até o seu natural ocaso'', diz o texto.
A declaração criticou a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos, aprovada no último dia 16 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, considerando-a um ''paliativo que atinge os sintomas, não a raiz do problema da violência''.
Sobre a atuação do governo federal, o documento afirma que os pobres estão sendo beneficiados pelos programas sociais, mas que é preciso avançar no desenvolvimento ''com inclusão e com justiça social''.
Na questão econômica, o documento coloca que a produção de etanol no Brasil não pode ser feita em detrimento da reforma agrária, do equilíbrio ecológico e da necessidade alimentar. O documento foi elaborado por uma comissão e submetido à aprovação de todos os bispos presentes. A assembléia reuniu 330 bispos.
''Valorizamos o que tem de bom (no governo) sem endeusar, dizendo que é preciso ir à frente, principalmente com mudanças estruturais como a reforma política'', disse d. Moacyr Grechi, arcebispo de Porto Velho (RO), que coordenou a comissão que elaborou o documento.
Na proposta inicial, o documento havia incluído propostas tiradas da 4 Semana Social da entidade, realizada em novembro de 2006, entre as quais a regulação da economia pelo Estado e um plebiscito para avaliar supostas perdas causadas pela privatização da mineradora Vale do Rio Doce. As propostas foram retiradas na discussão em plenário.

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