CNBB recomenda que não se vote em mentirosos
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Ayrton Centeno Agência Estado 
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jaime Chemello, recomendou ontem em Porto Alegre aos eleitores cristãos que eles não votem em candidatos mentirosos, que enganam o cidadão ou roubam. D. Jaime advertiu que quem mente uma vez mente sempre. Quem faz um cesto faz um cento, avisou. O religioso criticou ainda a inclinação de parte do eleitorado pelos candidatos do gênero rouba, mas faz. Enfatizou que, ao votar, o cidadão deve estar principalmente preocupado com o valor da ética.
Para o presidente da CNBB, o eleitor deve procurar conhecer o passado de cada concorrente. A seu ver, não adianta prestar atenção apenas nas aparências. Aí, só aparece o bonito, acentuou. É preciso que o candidato seja honesto e esteja interessado em lutar pelo bem de todos e, especialmente, olhar com mais carinho pelo povo que está pior, os mais pobres, receitou.
Condenando o abuso do poder econômico, d. Jaime lastimou o fenômeno da chamada militância de aluguel, o que significa, para ele, uma forma de corrupção eleitoral. Estes pobres infelizes que empunham bandeiras para poderem comer é uma coisa acintosa e chocante, assinalou. Votar em alguém porque deu boné, camiseta, ajudou um time de futebol ou pagou R$ 40 por semana para distribuir propaganda não ajuda a democracia; é um desvirtuamento, atacou.
Ele lamentou a precariedade da distribuição de renda no Brasil. A gente passa por São Paulo, com toda a sua potencialidade, e vê as favelas; aquilo choca, descreveu. É preciso quebrar a disparidade social que existe entre nós, sublinhou. O bispo definiu o Brasil como uma ilha de prosperidade em meio a um oceano de miséria. Além de sinceridade e honestidade - condições que julga eliminatórias na escolha do candidato - notou ser desejável que a escolha seja por alguém com um mínimo de responsabilidade e capacidade.
Também bispo de Pelotas (RS), d. Jaime apelou à população para que pense e vote bem. Defendeu uma democracia com participação do povo e sustentou que o nome escolhido deve se mostrar sensível à grande dívida social brasileira, evidenciando disposição clara de atacar questões prioritárias.
D. Jaime acha que as pesquisas de opinião, indicando favoritismos claros, e o debate sendo deslocado para o lado econômico, ajudaram a montar este quadro. Há silêncio e perplexidade, reparou.


