O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jaime Chemello, recomendou ontem em Porto Alegre aos eleitores cristãos que eles não votem em candidatos mentirosos, que enganam o cidadão ou roubam. D. Jaime advertiu que quem mente uma vez mente sempre. ‘‘Quem faz um cesto faz um cento’’, avisou. O religioso criticou ainda a inclinação de parte do eleitorado pelos candidatos do gênero ‘‘rouba, mas faz’’. Enfatizou que, ao votar, o cidadão deve estar principalmente preocupado com ‘‘o valor da ética’’.
Para o presidente da CNBB, o eleitor ‘‘deve procurar conhecer o passado’’ de cada concorrente. A seu ver, não adianta prestar atenção apenas nas aparências. ‘‘Aí, só aparece o bonito’’, acentuou. ‘‘É preciso que o candidato seja honesto e esteja interessado em lutar pelo bem de todos e, especialmente, olhar com mais carinho pelo povo que está pior, os mais pobres’’, receitou.
Condenando o abuso do poder econômico, d. Jaime lastimou o fenômeno da chamada ‘‘militância de aluguel’’, o que significa, para ele, uma forma de corrupção eleitoral. ‘‘Estes pobres infelizes que empunham bandeiras para poderem comer é uma coisa acintosa e chocante’’, assinalou. ‘‘Votar em alguém porque deu boné, camiseta, ajudou um time de futebol ou pagou R$ 40 por semana para distribuir propaganda não ajuda a democracia; é um desvirtuamento’’, atacou.
Ele lamentou a precariedade da distribuição de renda no Brasil. ‘‘A gente passa por São Paulo, com toda a sua potencialidade, e vê as favelas; aquilo choca’’, descreveu. ‘‘É preciso quebrar a disparidade social que existe entre nós’’, sublinhou. O bispo definiu o Brasil como ‘‘uma ilha de prosperidade em meio a um oceano de miséria’’. Além de sinceridade e honestidade - condições que julga eliminatórias na escolha do candidato - notou ser desejável que a escolha seja por alguém com ‘‘um mínimo de responsabilidade e capacidade’’.
Também bispo de Pelotas (RS), d. Jaime apelou à população ‘‘para que pense e vote bem’’. Defendeu uma democracia ‘‘com participação do povo’’ e sustentou que o nome escolhido deve se mostrar sensível à ‘‘grande dívida social’’ brasileira, evidenciando disposição clara de atacar questões prioritárias.
D. Jaime acha que as pesquisas de opinião, indicando favoritismos claros, e o debate sendo deslocado para o lado econômico, ajudaram a montar este quadro. ‘‘Há silêncio e perplexidade’’, reparou.

mockup