Indaiatuba, SP - O episcopado brasileiro advertiu os padres, na Carta aos Presbíteros, documento final da 42 Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que não se envolvam em política partidária, porque a atividade não é compatível com suas funções pastorais.
''Lamentamos quando alguns se deixam levar pela ilusão de que, ocupando cargos políticos, servirão melhor ao povo do que por meio do ministério pastoral'', afirma o documento, acrescentando que ''a missão do presbítero tem algo de específico, na configuração do Cristo Pastor, que não se coaduna com a partidarização política''.
O vice-presidente da CNBB, d. Celso de Queirós, da Diocese de Catanduva, afirmou em entrevista coletiva, no encerramento da reunião, que, embora não se trate de proibição, essa advertência significa que o sacerdote que assumir algum cargo público, no Legislativo ou no Executivo, é obrigado a se afastar da direção da paróquia.
''O padre continua a exercer o sacerdócio, mas não a função de pároco, que é o presidente da comunidade, porque ele será visto como político partidário e as duas funções são incompatíveis'', disse d. Celso. Segundo o bispo, os padres podem ter, pessoalmente, uma opção política e partidária, mas não devem manifestá-la aos fiéis. ''Os cristãos que participam de movimentos sociais recorrem a formas de reivindicar direitos que, temos de reconhecer, fazem parte de sua liberdade, contanto que não recorram a nenhum tipo de violência'', acrescentou o presidente da CNBB, d. Geraldo Majella Agnelo.
Na Carta aos Presbíteros, texto de nove páginas e meia, os bispos prometem ''não contemporizar'' quando um padre tiver comportamentos que requeiram acompanhamento ''como aqueles de ordem afetivo-sexual, apegos excessivos ao poder e ao dinheiro, alcoolismo e algumas patologias psicológicas profundas''.

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