O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Henrique Chemello, divulgou ontem um documento da entidade com propostas para a eleição do próximo ano, sugerindo boicote aos partidos políticos que indicarem candidatos corruptos. ''É oportuno exercer a vigilância em relação aos partidos que continuam indicando como seus candidatos pessoas comprovadamente inescrupulosas e os eleitores devem ser orientados a não apoiar tais candidatos, e até recusar candidatos de um partido que acoberte tais pessoas'', propôs a CNBB.

Chemello defendeu que o próximo dirigente realize auditoria nas dívidas externa e interna e uma revisão no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ''Cabe redirecionar a atual política econômica, voltada para o serviço das dívidas interna e externa, em detrimento dos investimentos sociais'', sugeriu.

Chemello afirmou ainda que a igreja vai orientar seus fiéis a escolherem com cuidado os candidatos, por meio de cartilhas, volantes, cartazes, programas de rádio, dentre outros veículos. ''A igreja não indicará candidatos nem partidos'', garantiu. Segundo ele, os padres também não serão incentivados a se candidatarem nas próximas eleições.

Para explicar essas posições, Chemello disse que pesquisas de opinião realizadas nos últimos anos indicaram que a maioria dos fiéis e dos cidadãos não deseja que a igreja intervenha diretamente na política partidária, indicando candidatos, mas que auxilie os eleitores a decidirem melhor.

De acordo com o presidente da CNBB, um dos principais problemas do País é a fome. ''A fome continua sendo o maior flagelo, transformando-se numa verdadeira guerra que mata mais que todas as outras'', ressalta a CNBB no documento. ''Essa situação de fome perdura porque maus políticos a utilizam para se manter no poder'', completou

mockup