CNBB prepara cartilha para o eleitor
Agência Folha
Em ano de eleições para a renovação do Congresso Nacional, Presidência da República, governos estaduais e assembléias, a Igreja Católica patrocinará uma campanha com o objetivo de destacar a importância do Legislativo na vida política do país. A gente sabe que existe a tendência acentuada de se acreditar que quem decide é quem governa. Para participar do governo e atuar, o povo precisa do Legislativo. Daí a necessidade de valorização desse poder, afirmou dom Demétrio Valentini, responsável pelo setor pastoral social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
O objetivo da campanha, que será desenvolvida como parte da 3ª Semana Social Brasileira, é estimular a participação da população na elaboração das leis por meio da escolha de seus parlamentares. Quem conhece política sabe que não se pode fazer nada sem leis. Queremos que a população participe desse processo, envolvendo-se mais na escolha dos candidatos e pressionando os parlamentares para que cumpram suas promessas, afirmou o padre Luiz Bassegio, um dos responsáveis pela organização da semana.
Segundo Bassegio, a igreja orientará os fiéis a votar em candidatos comprometidos com questões sociais de interesse da população, analisando suas propostas, seu passado político e a história do partido a que são filiados. Cerca de duas mil pessoas ligadas à igreja foram treinadas para transmitir a mensagem aos católicos por meio de seminários organizados nos municípios. A igreja incentivará as comunidades a organizar levantamentos indicando a atuação dos parlamentares nas áreas de interesse da igreja nas comunidades.
Já vi paróquias informando quais os candidatos que não merecem o voto do católico. Isso funciona, disse Bassegio. A importância do Legislativo será um dos temas centrais da cartilha do eleitor preparada pela Arquidiocese de São Paulo.
Segundo o ex-vereador Francisco Whitaker, secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, o assunto será abordado de forma direta. A preocupação dos católicos com o Legislativo passa ainda pelo que a igreja considera falta de autonomia dos parlamentares em relação ao Executivo. Há quase uma identificação demasiada entre os dois poderes. O Congresso é hoje um espécie de ministério de assuntos legislativos. Não deveria ser assim, criticou dom Demétrio.
O Legislativo existe para, em nome do povo, controlar o Executivo. Se ele não cumpre essa missão, o esquema está furado, completou. Na avaliação de dom Demétrio, o processo de modificação dos hábitos do Congresso deverá ser lento.
A CNBB comanda ainda a elaboração de uma nova proposta de legislação eleitoral, a ser organizada pelo ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira.





