CNBB pede rigor na apuração
Agência Estado
De Brasília
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendeu ontem o aprofundamento das investigações sobre o narcotráfico e o crime organizado no País. Em nota oficial, que foi tirada pelo Conselho Permanente da CNBB esta semana, a Igreja destacou o trabalho da CPI do Narcotráfico e sugeriu à comissão um acompanhamento sistemático na identificação dos responsáveis pela lavagem de dinheiro de organizações criminosas por meio das contas CC-5, usadas para envio de dinheiro ao exterior.
A CNBB denuncia que as CC-5 vem sendo utilizadas para legalizar operações ilícitas, protegidas inclusive por sigilo bancário e fiscal. O presidente da CNBB, D. Jayme Chemello, quer que a CPI fiscalize, com rigor, as operações feitas por meio das contas CC-5. Segundo a Comissão de Justiça e Paz, as contas são uma epécie de caixa preta para legalizar dinheiro.
No Paraná, a Polícia Federal descobriu que, nos últimos dois anos, foram lavados R$ 7,5 bilhões por essas contas, envolvendo mais casas de câmbio e empresas de fachadas de Foz do Iguaçu, Cascavel, Londrina, Rio de Janeiro e São Paulo. Lá, a PF pediu a prisão de 20 pessoas e já indiciou outros 200 por envolvimento com lavagem de dinheiro em casas de câmbio.
Por meio de tais contas (as CC-5) têm sido possível sair livremente, de nosso País, dinheiro obtido criminosamente, rumo aos paraísos fiscais, de onde volta ao Brasil como capital estrangeiro devidamente legalizado, destaca a CNBB em nota oficial.
Além de aprofundar as investigações, D. Jayme Chemello disse esperar que a CPI do Narcotráfico não se limite a identificar intermediários do tráfico e do crime organizado, mas chegue aos chefões das quadrilhas. A impunidade não pode prevalecer, alerta o bispo.





